Táticas para vencer o tédio

Retirar as cadeiras da sala de reuniões. Esta é uma das táticas de guerra que as empresas adotam para estancar a febre de reuniões improdutivas. Um exemplo é o departamento de marketing da Marcopolo – uma das três maiores fabricantes de carrocerias de ônibus do mundo, sediada em Caxias do Sul (RS). Já no início dos anos 70, o mesmo procedimento teria sido adotado pelo general Ernesto Geisel, quando presidia a Petrobras. Pelo menos, esta é uma das histórias que cercam a figura sisuda e enigmática do ex-presidente da República. Irritado com a morosidade do dia-a-dia na gigante estatal, Geisel teria partido para uma solução radical ao reunir a diretoria da empresa. Ficar em pé gera um desconforto que serve de combustível para agilizar as decisões. Autores americanos, pragmáticos, sugerem reuniões no corredor para que os participantes fiquem expostos e não caiam na tentação de empurrar as soluções com a barriga. Os mais xiitas pregam a abolição do café e da água. Mas isso já é terrorismo.

Outros preferem a tática da informalidade, como o publicitário Washington Olivetto, da W Brasil. Se o tema envolve no máximo duas ou três pessoas, reúne a turma no sofá do corredor e bate o martelo. Na mesa de criação da agência, há sempre uma cadeira vazia à espera de Olivetto, para que ele promova um encontro improvisado na hora que bem entender. Agora, se o tema é complexo, o publicitário não hesita em perder seis horas na sala de reuniões da W Brasil, servindo água, café, chiclete e bala aos participantes. Caso o encontro se prolongue noite adentro, o mimo é maior, com cerveja e uísque.

7 Pecados capitais - Erros sistemáticos que tornam as reuniões infernais

1) Não têm horário para início e fim – começam quando todos chegam e terminam quando o assunto se esgota;
2) Envolvem muitas pessoas (especialistas recomendam no máximo seis);
3) Não há líder que as conduza, porque os participantes se consideram adultos e bons profissionais;
4) A agenda é apenas orientação, não precisa ser obedecida;
5) Basta confiar na memória – ninguém toma nota de nada;
6) A secretária transfere ligações para o local do encontro quando bem entende;
7) Conversa paralela é permitida, desde que haja discrição.

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