Todo santo dia

QUARTA-FEIRA
"Nosso legado são raízes e asas.”

Mercúrio tinha asas nos pés e era o mensageiro divino na mitologia romana. E é Mercúrio que nomeia a quarta-feira (miércoles em espanhol, mercredi em francês, mercoledí em italiano). É por isso que a ressonância da quarta é a da comunicação. É um excelente dia para ler, estudar, escrever, pesquisar e exercitar tudo o que está ligado à intelectualidade.

Quarta-feira também é o dia da expressão, do agito, da rapidez e da objetividade. Depois do planejamento da segunda e das resoluções da terça, é hora de colocar o bonde na rua e fazer tudo acontecer. Porém é bom não perder de vista os cuidados consigo mesmo, com o corpo e com a mente. Cuidar da terra
e do céu.

QUINTA -FEIRA
“A sabedoria é um estranho caminho que busca conhecer a própria ignorância.”

Talvez o único grande propósito em percorrer tantas experiências seja o de aprender sobre quem somos e o que representamos. Diferenciar o ilusório do real é como desvelar enganos e deter o fluxo narcótico que nos lança à sensação de felicidade sem fim ou de sofrimento que não acaba mais. A existência é o exercício de ser feliz e sofrer alternadamente. A vida é a compreensão de que não há sentido em desejar o elogio ou repudiar a crítica.

Quinta (jueves em espanhol, jeudi em francês) está no arquétipo de Júpiter, na tradição greco-romana. É o deus supremo, no qual repousa toda a sabedoria, a justiça e a força. Para os nórdicos, também representa esses valores por meio do deus do trovão, Thor, que deu origem à thursday, quinta-feira em inglês. É momento de recorrer aos princípios da própria espiritualidade e elevar a consciência. As ações de quarta devem ser vistas sob a luz dos propósitos inspiradores de quinta.

SEXTA -FEIRA
“A beleza é o divino habitando a vida.”

Para os nórdicos, a sexta é a representação de Freya, deusa da sensualidade (friday em inglês). Além disso, está dentro do arquétipo da Vênus romana (viernes em espanhol), que inspira tudo o que está ligado ao amor, à beleza e às artes.

A sexta é o momento de se preparar para o final da semana. Contemplar a beleza, apreciar a arte, afinar o espírito. Mirar-se através de olhos amorosos e perceber o que há de melhor em nós. Os confrontos e conflitos já foram resolvidos na terça. Sexta é o dia da entrega, de saborear a graça divina da vida.

SÁBADO
“A essência transparece na existência.”

Os povos antigos consideravam Saturno o guardião dos limites do universo. Sábado é o dia da compreensão do fim de ciclos, como a semana que termina. É o momento do balanço das realizações. É também momento de recolher-se. É o dia do Shabbath judaico, dia do repouso, que gerou o sabbatum romano, que finalmente nomeou o sábado.

É o dia da apreciação meditativa, da ligação com o espiritual que permeia a vida. Temos de lembrar que nos tornamos tudo aquilo que evocamos. Sábado é o dia da evocação do mais sublime, do mais justo, da qualidade, da tolerância para passar pelos percalços e da aceitação para superar as intempéries.

Daquilo que não pode ser mudado, devemos tirar a lição que deve ser aprendida. Nenhuma semente é perdida. Nenhuma primavera jamais deixou de favorecer as flores. Há ciclos que se repetem para o inconsciente, reproduzindo vezes sem fim a mesma seqüência de fatos, até que acordamos e saltamos para um novo ciclo mais amplo na espiral da existência. Pensar é mudar, e quem muda cura a si mesmo.

Se prestarmos atenção, cada dia representa um movimento especial de ciclos de vida. Se seguíssemos o fluxo da sabedoria dos dias, vivenciaríamos nossa existência mais alertas, desfrutando cada passo, reconhecendo cada encontro, permitindo que o melhor de nós aflorasse nas trilhas iluminadas de cada santo dia.

* Dulce Magalhães é consultora da Work Educação Empresarial, doutora em Planejamento de Carreira pela Universidade de Columbia (USA) e mestre em Comunicação Empresarial pela Universidade de Londres (Inglaterra)