Procuram-se idéias II – O turismo criativo

Por Gisela Kassoy*

Você conhece a “c aramanhola”, aquela garrafa feita para ciclistas? Sua tampa não precisa ser aberta ou fechada, permitindo que a água seja bebida mesmo com a bicicleta em movimento. Além disso, o líquido nunca escorre e nem se suja, pois o recipiente fica vedado. Pois bem, essa garrafa segue os princípios de uma válvula cardíaca, e funciona da mesma forma que ela.

Soluções criadas para outros universos são fontes inesgotáveis de idéias inovadoras, pois nos obrigam a quebrar paradigmas.

Quem procura idéias pode e deve fazer um turismo criativo, buscando o diferente para levar ao seu mundo.

Pode parecer inviável e absurdo, mas este é um caminho bastante fértil para que tenhamos idéias originais. E não pense que ele é aleatório: até o MIT, onde fiz um curso recentemente, ensina formas sistemáticas para a busca de idéias em outros universos.

Você pode começar com pesquisas junto a clientes, concorrentes, usuários ou usuários potenciais, pessoas que adotaram seus produtos e serviços e que darão indícios que poderão resultar em idéias revolucionárias.

Não espere respostas prontas. Normalmente esses públicos possuem uma vaga noção de suas ambições e do que os incomoda. É melhor observar do que perguntar. Você saberia dizer quais são suas expectativas em relação ao cabo de uma escova de dentes? Foi observando seu uso que os designers chegaram a um cabo mais grosso e mais confortável para as mãos dos usuários.

Entre os clientes, é interessante conhecer os lead users , pessoas que adotaram seus produtos e serviços com entusiasmo. Esses sim podem ter até idéias prontas, e com certeza os indícios serão inúmeros. Seu papel é estar entre eles e dar espaço para que eles troquem as informações que poderão interessá-lo. Promova blogs, comunidades de prática, encontros presenciais. Conheça os desejos de seus clientes e esteja aberto para se surpreender.

Num outro nível, procure soluções análogas às que necessita. Por exemplo, a 3M obteve dados importantes para a confecção de pele artificial para enxertos conversando com maquiadores da Broadway. Evidentemente, a idéia do maquiador não caiu do céu. Foi pensando no problema em questão e buscando sistematicamente profissionais que poderiam ter algo a contribuir que a 3M chegou nele.

Mesmo se não tiver nada específico em mente, use o turismo criativo. Você sai da rotina, aprende a aprender – afinal o diferente pode ser fonte de informação, quebra paradigmas, estimula a curiosidade. Use a arte, conheça pessoas novas, visite sites. Você não estará desprezando o seu foco, mas sim ampliando suas fontes de pesquisa.

Comece sua busca já. Passe a observar o mundo com olhos ávidos. Einstein dizia que não dá para resolver um problema com a mesma atitude mental que o criou. É quase tão difícil quanto inovar olhando apenas para o que já foi criado.


* Gisela Kassoy é colunista do Empregos.com.br, formada em Comunicação Social e em Metodologia do Ensino da Criatividade pela Creative Education Foundation da Universidade de Nova York. Atua com consultoria, seminários e palestras sobre Criatividade, Inovação e Transformações Organizacionais.