Prazer em estar com você                                  (24.03.08)

Por Alex Born*

Muitas pessoas utilizam essa frase como que, se por obrigação, precisassem citá-la para provar que têm uma vida ativa e que se importam com o tempo – o seu tempo. Porém, a maior parte dessas pessoas nem imagina o que é “viver cada minuto como se fosse o último”.

Não vou começar a fazer velhas comparações como: Pergunte a um paciente terminal o valor do tempo ou pergunte a um corredor de Fórmula 1 quanto vale um segundo, etc.

Para mim, por exemplo, viver cada minuto como se fosse o último é ter uma equação perfeita da divisão do meu tempo em relação a tudo que desejo. É saber que preciso concentrar minhas energias em várias atividades e pessoas diferentes, de maneira a tornar meus momentos e daqueles que estão comigo mais agradáveis – momentos felizes.

Se estou no meu trabalho, procuro me doar satisfatoriamente para produzir bons resultados, para que haja sinergia entre mim e todos ao meu redor, para que eu tenha prazer no que estou fazendo.

Se vou pra casa para brincar com meus filhos, quero que esse momento seja gostoso, que eles curtam o pai. Não quero estar lá só pela obrigação de estar. Procuro doar um pouco da minha total boa atenção em vez de fingir satisfação por longo tempo, as crianças percebem isso logo. Tento me doar nesses momentos para que nós tenhamos prazer no que estamos fazendo.

Quando estou com minha esposa, o momento tem que ser mágico. Eu, na verdade, só acredito no amor quando existe magia. Se não houver isso, o amor passa a ser amizade e com o tempo pode virar frustração. Pessoas que esquecem o passado e as maravilhosas sensações que o amor proporcionou estão fadadas a não as sentirem outra vez. No amor é preciso relembrar os ‘velhos tempos' para renová-los constantemente. Eu tento me doar ao máximo para manter essa magia, para que nós tenhamos prazer no que estamos fazendo.

Quando dedico tempo à minha mãe, uma vez que meu pai há muito se foi, procuro dispensar a atenção que ela deseja ter, mesmo sabendo que muitas vezes ela irá repetir velhas receitas, conselhos e críticas, mas com amor sempre renovado . Gosto de ouvi-la e doar-me a ela e não bombardeá-la com problemas pessoais. Faço isso só para que ela sinta prazer em relação ao que eu estou fazendo.

Em resumo, em tudo o que faço procuro me doar e transmitir às outras pessoas muita sinceridade, mostrar o prazer que o momento (que estou com elas) está me proporcionando.

Portanto, dizer que vivemos cada minuto como se fosse o último pode soar um pouco forçado e não transmitir a idéia principal, que é o prazer pela vida e por todos esses momentos.

Lembre-se, que algo que nos dá prazer pode não oferecer o mesmo para outros e vice-versa.

Quantos relacionamentos terminam por não haver concordância entre os perfis e os padrões de pensamentos, o que muitos chamam de incompatibilidade de gênios?

Isso pode acontecer por vários fatores, mas alguns padrões podem definir a continuidade ou não do relacionamento e o perfil de pensamentos é decisivo na hora de definir o tipo e a qualidade da relação.

Imaginemos, então, alguns padrões:

  • Pessoas nostálgicas, que gostam de pensar no passado e relembrar velhos acontecimentos.
  • Pessoas tradicionais, que gostam de manter certos rituais, hábitos e costumes.
  • Pessoas contemporâneas, que vivem o presente, são mais intensas no hoje e menos idealistas e altruístas. Gostam do já em detrimento do quando. Querem que as coisas aconteçam no Agora.
  • Pessoas futuristas e visionárias, que preferem viver de planejamento e sonhos, sempre à procura do novo, de fórmulas mágicas. São altruístas, sonhadoras e empreendedoras.

Se todos fossemos 100% cada um desses padrões, como poderia haver uma convivência saudável?

Vamos nos doar àquilo que estamos fazendo e às pessoas que convivem conosco todos esses momentos. Vamos nos entender e entender que existem padrões diferentes de pensamentos e, principalmente, que o seu sucesso e o sucesso de uma vida feliz residem na capacidade de entender e aceitar as pessoas como elas são. Sem querer mudá-las ou, forçosamente, nos mudando, saindo dos nossos padrões e nos afastando daquilo que mais gostamos, muitas vezes nos afastando de nós mesmos. Isso só nos levará à frustração e com o tempo ficaremos infelizes, consequentemente, deixando quem está conosco infeliz também.

Vamos nos permitir ter uma vida melhor...

*Alex Born é conferencista, consultor e escritor. Formado em Administração de Empresas e Educação Física, possui mestrado em Gestão Estratégica de Empresas e é especialista em Gestão de Pessoas. Com trabalhos realizados em 20 países, Born é autor dos livros: Você é pessoa ou tomate?! , Travelers, trotters and backpackers – The ultimate guide , Indo e vindo, Coleção Empresarial: ‘Kooperation Twist' , Neuromarketing – O genoma do marketing, o genoma das vendas e do método de ensino TOP ENGLISH.