Cegueira em embalagem longa-vida              (13.08.07)

Por Alex Born*

Nós somos diferentes quando vivemos sozinhos do que quando vivemos com outra pessoa, em comunidade ou grupo social.

A vida é de tal maneira tão misteriosa, que nem ao menos nos conhecemos por completos, o que diria, então, dizermos que conhecemos outra pessoa completamente?!

Nós somente iremos saber quem realmente somos, com nossas diferentes reações e características, após nos depararmos com situações inusitadas, vivê-las e analisá-las com intensidade e constância. Não basta simplesmente vivenciar um fato novo e esquecê-lo, pois, às vezes, a vida passa por nós despercebidamente e isso pode acontecer a todo minuto. Basta prestarmos atenção nos menores detalhes para sabermos diferenciar uma situação difícil de outra fácil.

Os grandes detalhes são facilmente perceptíveis, porém, não menos difíceis de serem analisados.

Quantas vezes não pecamos e erramos por considerarmos com maior ênfase os detalhes maiores e deixarmos de lado aqueles pormenores e, ao final, percebemos que o grande diferencial entre o conseguir ou não conseguir, o realizar e o não realizar, o agradar ou desagradar, a felicidade e a melancolia, deveu-se aos detalhes.

Grandes feitos foram realizados analisando-se os detalhes. As maiores conquistas foram conseguidas pelas vírgulas. Segredos e mistérios, que vieram por água abaixo, foram entregues ou delatados pelo desprezo às pequenas coisas...

A arrogância e o egocentrismo muitas vezes nos enquadram em um modo de vida linear, condicionando nossas vidas àquela moldura criada ou imposta pela sociedade ou uma situação.

E o que ganhamos com isso? Cegueira longa-vida.

Pessoas, de um modo geral, deveriam entender pessoas. Não é preciso aceitar tudo, mas, simplesmente, entender.

Se você é extremamente organizado, terá dificuldades para conviver com um atrapalhado. Se você é quieto, terá problemas com aqueles falantes ou os provocativos, se você for um bom contador de piadas, não gostará de conviver com um “chato”, e por aí vai. Porém, convivemos com essas pessoas o tempo todo.

Em meu livro, Você é pessoa ou tomate?! , cito dois tipos de personalidades que classifico como: Os defensivos e os inteligentes.

Os primeiros são reticentes a mudanças e implicam com tudo, além de não aceitarem críticas ou sugestões. Eles estão sempre reclamando e se lamentando, como se o mundo fosse errado e tudo conspirasse contra ele.

Já o segundo está sempre “plugado” no mundo, suas antenas captam as mudanças, ele é flexível e domina o timing – sabe exatamente quando e como falar. Entende as críticas, aceita as sugestões, pergunta às outras pessoas sobre suas qualidades e limitações, compreende a necessidade das diferenças humanas em prol da evolução da humanidade e do “eu”. Nunca produz a frase: “Ah, eu sou assim mesmo, não mudo e não vou mudar”.

Acredito no potencial humano e em toda sua capacidade de regeneração e superação, mas em minhas consultorias tenho encontrado muita gente reclamando da vida. Essas pessoas reclamam do emprego, do governo, do parceiro, dos filhos, da saúde, dos amigos, de tudo.

Normalmente, eu pergunto o que lhes dá medo, o que lhes deixou ou os deixa dessa maneira.

Você já fechou os olhos e refletiu sobre isso? – Acredite, todos temos uma resposta.

Depois pergunto como deveria ser? – Poucos conseguem responder.

E, finalmente, pergunto o que eles têm feito para melhorar a situação.

É incrível como a maioria das pessoas se sente atraída por problemas. Querem por que querem ir de encontro ao que lhes causa dores de cabeça e insistem em bater na mesma tecla. Procuram o caos em detrimento à paz.

Sim, parece estranho, mas, muitas vezes, ir de encontro ao problema trará muito mais incômodo do que contorná-lo usando sua inteligência emocional.

Quantas vezes criticamos alguém, mas continuamos convivendo com essa pessoa?

Quantas vezes nos revoltamos com um grande amigo só porque ele errou, esquecendo os maravilhosos momentos de alegria que ele já nos trouxe? O queeeê? Você tem vergonha de procurá-lo e dizer: “E aí cara, o que está acontecendo...?” Isso é orgulho puro!!!!

Quantas vezes dizemos que o governo é... (deixa pra lá), mas não procuramos nos unir em prol dos nossos direitos?

Quantas vezes reclamamos de tudo e nada fazemos por puro medo ou comodismo (diga-se: inércia)?

Pois é, muitos são os que aplaudem, muitos são os que vaiam, mas poucos são os que recebem os cumprimentos.

Espero que a vida nos ensine a melhorar cada vez mais e que nós ensinemos à vida que realmente podemos ajudá-la.

Ficam aqui as minhas perguntas para contribuir com a sua e com a minha vida. Faça o teste:

1) Como está a sua vida?

2) O que você tem feito para melhorá-la?

3) Como você encara os momentos difíceis? Defensivamente ou expansivamente?

4) Você realmente se conhece bem ou se engana, vivendo num mudinho de fantasias? O seu mundo é real?

5) Você acha que as pessoas o vêem da mesma maneira que você acredita ser? (Faça um teste)

6) Quantos novos amigos você tem feito? Hein..., só sai com aquela “panelinha” de sempre?

7) Quantas vezes você dá atenção à alguém, com isenção total de interesse, só para doar carinho?

8) Como você se vê daqui a alguns anos? Gostaria de continuar assim?

9) Você vive só planejando, vive executando sem planejar ou é um autêntico realizador de sonhos?

10) Você dá mais desculpas ou apresenta resultados?

Se precisou pensar muito, então é melhor pensar mais em você!

*Alex Born é conferencista, consultor e escritor. Formado em Administração de Empresas e Educação Física, possui mestrado em Gestão Estratégica de Empresas e é especialista em Gestão de Pessoas. Com trabalhos realizados em 20 países, Born é autor dos livros: Você é pessoa ou tomate?! , Travelers, trotters and backpackers – The ultimate guide , Indo e vindo, Coleção Empresarial: ‘Kooperation Twist' , Neuromarketing – O genoma do marketing, o genoma das vendas e do método de ensino TOP ENGLISH.