Não é ano de copa, mas vamos torcer!
por Fernando Barreto*
É inacreditável como nós brasileiros somos volúveis. Em ano de copa uma inexplicável força toma conta de nós e agimos com se fôssemos o povo mais patriota do mundo, torcemos de forma doentia pela seleção canarinho. Estendemos bandeiras nas sacadas, colamos adesivos e penduramos bandeirinhas no vidro do carro. Vestimos literalmente a camisa do Brasil.
Pena que o espírito de patriotismo seja passageiro, aliás, cíclico. Precisamos rever o conceito de patriotismo e melhor aprender a aplicá-lo quando torcemos pelos gols em outras áreas.
Alguns problemas crônicos da sociedade podem ser solucionados com atitudes simples como exigir nota fiscal quando efetuar compras. Parece insignificante, mas inibe o contrabando e a sonegação de impostos, além de contribuir para a geração de emprego de qualidade - especialistas definem emprego de qualidade como sendo o emprego formal, com carteira assinada.
Imagine se todos os brasileiros deixassem de comprar mercadorias em camelôs. Eles não teriam mais para quem vender! Lembre-se de que as mercadorias comercializadas por camelôs são na maioria contrabandeadas e falsificadas, além de sonegarem impostos.
O ponto é que os mesmos que sonegam impostos recorrem ao governo quando necessitam de assistência médica e educação. Eles não contribuem com o bolo, mas aparecem para comer um pedacinho, logo sobra menos bolo para os que contribuíram. Isso reflete diretamente na qualidade dos serviços públicos e o governo tem duas opções: atender dignamente aos que contribuíram ou atender a todos precariamente.
O mesmo acontece com o consumo de drogas: se não houver quem compre drogas, os traficantes não existirão.
Patriotismo é não votar em políticos corruptos ou nos coronéis do Nordeste que compram votos com pares de sandálias. O brasileiro tem que apreender a acompanhar a vida política de seus candidatos, cobrar e exigir que cumpram suas promessas de campanha, para que fiquem sob o risco de não receber mais votos e encerrar suas carreiras políticas.
Mesmo e principalmente quando não for época de Copa do Mundo, vamos criar o hábito de defender nossos País e incentivar seu crescimento. Vamos hastear as bandeiras, entrar em campo e marcar os gols que o Brasil precisa!
*Fernando Barreto é administrador de empresas e analista de logística da Camargo Corrêa Cimentos S/A.
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