Gestão de carreira, quem se importa?
por Rosangela Kaiser*


Vivemos em uma época de constantes transições e fusões no mercado de trabalho.
O que ontem era garantia de um futuro certo e sossegado hoje é simplesmente requisito básico para se ter o mínimo de conforto no presente. Vivendo em uma economia globalizada, onde vários fatores influenciam as tomadas de decisões das empresas, não basta ao profissional exibir um currículo invejável de qualificações para garantir seu espaço no mercado.

Na edição de agosto de 2004 a revista VOCÊ/SA trouxe várias reportagens sobre trabalho e carreira. Uma matéria que me chamou atenção trazia a preocupação de vários profissionais em conciliar carreira e família. Os depoimentos retratavam pessoas que mudaram suas carreiras totalmente de rumo em benefício de um contato mais próximo com a família. Fiquei por alguns minutos refletindo sobre a distorção de valores em que vivemos hoje, sobre o egoísmo que, em muitos casos, dita a busca incansável pelo sucesso e reconhecimento profissional. Numa visão mais simplista das coisas, imagino que a função principal do trabalho é proporcionar uma vida agradável à sociedade, mas, como protagonista de muitos dramas, o exagero do dito profissionalismo tem causado seqüelas irreversíveis em muitos lares.

Esse descontrole tem relação com a quantidade de informações a que somos sujeitados diariamente e que nos direcionam a uma ansiedade inconsciente de uma busca incessante de melhor posição? Ou a evolução do ser humano é cíclica e nos remete a um egoísmo sem limites e, posteriormente, a uma tentativa de recuperação das mazelas provocadas por este sentimento? Podemos responder a essas questões justificando-nos pelo meio ou assumindo sentimentos não tão agradáveis de reconhecimento. De qualquer maneira, é válido reavaliarmos nossas escolhas e termos consciência de que algumas delas não são remediáveis.

Existe um considerável número de empresas especializadas em recolocação profissional, e não muito distante dessa situação teremos um mercado promissor de recolocação familiar, em que todas as técnicas de análise e psicologia serão aplicadas na tentativa de tratar uma sociedade que não se deu conta de que o trabalho por si só não traz realizações duradouras.

Tomando como reflexão essa situação, é justificada e merecida a atenção ao currículo não estritamente técnica, e sim mais humanamente, ao considerar nossa postura como indivíduos e não apenas como máquinas produtoras de benefícios às empresas. O profissional moderno deverá desenvolver características especiais para o mercado de trabalho, em que consiga administrar com eficiência sua carreira sem deixar em segundo plano sua vida pessoal.

Não precisamos de muitas informações para concluir que, em algumas empresas, esse simples conceito de profissional moderno exigirá que o indivíduo se transforme em super-herói.

*Rosangela Kaiser é Analista de Sistemas Sênior e atua na empresa Serviço Social do Comércio - SESC SP.

 
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