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Marcos
Sá Corrêa
Dos 54 anos de vida do jornalista Marcos Sá Corrêa, 33
foram dedicados ao trabalho como repórter. Desde março,
Marcos Sá é editor e colunista do site no.com.br, revista
eletrônica que procura combinar na Internet as maiores
virtudes dos jornais e das revistas publicadas em papel.
Formado em história, o jornalista, autor de quatro livros
(entre eles a biografia de Oscar Niemeyer e O Burocrossauro),
já trabalhou como fotógrafo, editor-chefe do Jornal
do Brasil e diretor de redação de O Dia, além
de colunista das revistas Veja e Época.
ana
diz: Quais as principais dificuldades encontradas
no meio jornalístico por um iniciante no ramo?
ana, Em outras profissões o diploma já capacita para um
cargo. No jornalismo, só o diploma não basta. A experiência
para a reportagem é muito importante. É isso que irá destacar
o profissional. O jornalista precisa de tempo para mostrar
na prática o que sabe fazer. E isso dificulta a entrada
do jovem profissional no mercado.
interessada
diz: Em algum momento da sua carreira você quebrou
os códigos de ética do jornalista?
interessada, não. Não é necessário quebrar os códigos
de ética para se fazer uma boa reportagem.
interessada
diz: Qual a área mais aquecida para o profissional
de jornalismo atualmente?
nteressada, Apesar de todas as crises das empresas pontocom,
ainda acho que a melhor mídia é a Internet - ainda há
muita novidade por vir. A Internet possibilita colocar
a notícia no ar, de forma extremamente rápida. Além disso,
as matérias ficam mais tempo no ar e todo erro pode ser
corrigido imediatamente. Excelente para você exercer com
rigor sua profissão.
Tatiana
diz: Como você acha que os jornalistas lidam com
o preconceito existente com os Relações Públicas?
Tatiana, se a pergunta se refere a afinidade, elas não
têm nenhuma. São extremamente diferentes. O RP é um profissional
meio de RH que vai aparar arestas de todas as áreas. O
Jornalista não tem que agradar ninguém.
Flavia
diz: Vi uma palestra sua onde você dizia que, mesmo
sem estratégia comercial, o No.com conseguiu um crescimento
considerável de page views (acho que 30% desde que foi
criado). Acha possível sobreviver sem investimento e sem
comercial? Como vocês sobrevivem?
Flavia, O No.com não cresceu 30% desde que foi criada.
Cresceu 30% ao mês desde os meados de maio. Não investimos
em marketing, porque decidimos investir primeiro na consolidação
do produto. Claro que era melhor anunciar aos 4 ventos,
mas optamos por outra estratégia. Sem investimento dá,
mas sem comercial, não.
Anônimo
diz: Marcos, como você você vê hoje o papel do
jornalista e sua relação com a ética?
Anônimo, em geral o padrão ético do jornalista brasileiro
é bom. Existe um aprimoramento ético constante do brasileiro.
Pamela
diz: Você tem uma coluna diária no site. Por que
faz questão de tê-la, já que tem que administrar tantas
outras coisas? É a questão de manter-se visível?
Pamela, para fazer o site, renunciei ter uma coluna em
papel, que tinha uma visibilidade muito maior. Resolvi
manter uma coluna diária para manter uma disciplina.
felicia
diz: Marcos, o que tenho visto nas redações dos veículos
de internet são demissões atrás de demissões. Como
essas pessoas podem conseguir se reestabelecer em no mercado?
felicia, uma das fórmulas é a que a gente adota na No.
Nunca crescemos demais nem reduzimos. A partir de agora,
o jornalista vai poder trabalhar autônomo e publicar em
vários lugares. Nada impede que um grupo de jornalistas
coloquem no ar, com investimento muito pequeno, um produto
que por si só seja atraente e consiga se manter.
ana
diz: Como enfrentar o mercado ao sair da universidade?
ana, se eu estivesse saindo hoje da faculdade, tentaria
arrumar um notebook e ir pra Amazônia. Hoje você
tem que descobrir os espaços livres e ocupá-los.
Sofia
diz: Por que a Veja não perdeu mercado para a Época?
Como era o seu trabalho nas duas?
Sofia, é uma questão complicada. A Época revelou
que existiam leitores que não estavam sendo atendidos
por nenhuma revista semanal. No final da minha experiência
na Veja, era colunista e tinha liberdade para escrever
sobre o que achasse interessante. Na Época fui trabalhar
com Augusto Nunes, quem admiro bastante, ajudar organizar
a sucursal do RJ e tinha uma coluna semanal.
Lima
diz: Com vários livros de jornalistas chego a acreditar
que o jornalista investigativo ainda existe. Estou certo?
Lima, só não concordo com o ainda. Os repórteres brasileiros
estão aprendendo a fazer o jornalismo investigativo que
é muito mais do que fazer uma simples denúncia. É um ato
de demonstração
felicia
diz: Na resposta para a interessada, você
deu a entender que uma das vantagens do jornalismo online
é a possibilidade de corrigir rapidamente o que entrou
errado. Isso não provoca uma certa irresponsabilidade
do jornalista?
felicia, isso depende do jornalista. Eu estava pensando
no bom jornalista. Esse vai estar tentando sempre estar
mais perto do acerto.
Cremilda
diz: Como fazer para captar notícias para um site?
Me refiro a buscar os acontecimentos...
Cremilda, a mecânica, o funcionamento da apuração da notícia
na Internet é igualzinha a dos outros veículos. Precisamos,
consultar as fontes, entender e checar a informação. O
texto é a maior riqueza da Internet.
Lígia
diz: Vocês fazem um trabalho maravilhoso, que nenhum
outro veículo ousa fazer. Como lidar com as ameças e retaliações,
diante das denúncias feitas? Como fazer um jornalismo
tão isento?
Lígia, que bom! Fazendo as mesmas coisas que se faria
em qualquer outro órgão de comunicação. Tem que ter certa
segurança para publicar. A fórmula é universal.
Crivaldo
diz: Como eram suas relações (e como ainda são...)
com os coleguinhas metidos? Você chegou a ficar metido
quando passou a ocupar cargos importantes?
Crivaldo, acho que não. Fiz o possível para isso não acontecer.
Sou míope desde pequeno. Todo míope é distraído e isso,
gera já certos mal entendidos. Dos coleguinhas metidos
sempre tentou manter distância, independente da fase da
carreira que eles estivessem.
Tatiana
diz: Como você acha que o profissional pode
ajustar seus interesses como jornalista e sua ética aos
da empresa, que nem sempre são os mesmos?
Tatiana, ignorando-o. O melhor que se pode fazer é não
saber os intereseses da empresa. Se você quiser
não saber, você não sabe e pronto. no New York Times
por exemplo, o elevador usado pelas pessoas do departamento
comercial não é o mesmo do pessoal da redação.
Carina
diz: Não sentiu nem uma dorzinha ao deixar seu
espaço em Veja? Sua vida mudou? As pessoas te conhecem
mais ou menos agora?
Carina, é claro que você num sai de um lugar do
qual gosta sem sentir. Provavelmente, ao trocar o papel
pela Internet, perdi leitores, mas ganhei muitos outros.
E hoje tenho muito mais contato com os meus leitores.
Hoje tenho menos leitores, porém com mais leitura.
Vivêncio
diz: Marcos, como divide seu dia? Trabalho num site e
tenho a impressão de que quanto mais trabalho, mais coisas
ficam atrasadas...
Vivêncio, Olha, eu também. Trabalho num site e
tenho a impressão de que quanto mais trabalho, mais coisas
ficam atrasadas...
ana
diz: O que você pensa a respeito da comunicação
empresarial?
ana, é um serviço útli que usa técnicas do jornalismo,
mas não é jornalismo. Pois no jornalismo a principal preocupação
é com o ouvinte, leitor... e na comunicação empresarial
deixa de ser com o leitor para ser com a empresa.
Lucia
diz: Porque mesmo com um veículo como a Internet,
ainda se vê tanto "copy-and-paste"? Você não acha que
a Internet também poderia "libertar" o jornalista para
produzir matérias sem ficar tão dependende de agências
internacionais?
Lucia, sempre haverá a questão do copy writer...
lilian
diz: Marcos estou fazendo um trabalho sobre a proibição
do estágio no jornalismo e gostaria que você me falasse
um pouco desta proibição, que acredito que tenha vivenciado
lilian, Pra falar a verdade eu não vivenciei o problema.
Eu tenho a impressão de que esse excesso é sufocante.
Sou a favor da obrigatoriedade do diploma, mas acredito
que o estágio é IMPORTANTÍSSIMO para formação do jornalista.
Acho que não deveria ser proibido. Devia ser obrigatório.
Estefânia
diz: Se eu começar minha carreira já na web, tenho
condições de crescer ou preciso aprender no campo tradicional?
Estefânia, acho que cada vez mais, profissionais irão
iniciar sua carreira na web. Acho que terão total condição
de serem bons profissionais. O repórter que usa web para
veicular suas informações, vai saber também. utilizar
a web como instrumento de apuração.
LUA
diz: Você é formado somente em História? Para ser
jornalista é preciso ter o diploma de Jornalismo?
LUA, eu sou formado somente em História. Fui a última
geração que pode trabalhar sem o diploma obrigatório.
Consegui o registro pela prática.
Gigi
diz: Marcos, o que preciso para conseguir um emprego na
web?
Gigi, não sei responder. Mas arriscaria dizer que a primeira
coisa é encontrar seu espaço na web. A Internet está alargando
muito e ainda vai alargar mais.
felicia
diz: Qual é o público do no.com.br?
felicia, Ainda não sabemos. Sabemos que é muito lido nas
outras redações e dentro do seu público, no meio acadêmico
e por alunos de comunicação. A No. é bastante lida fora
do Brasil. Tudo isso sabemos por meio de mensagens que
recebemos de leitores. Nunca fizemos pesquisas.
russo
diz: O que você tem a dizer da qualidade dos textos
nos jornais diários. Você não acha que as escolas de jornalismo
tinham de investir mais na produção de textos?
russo, sim... 12 vezes sim. O maior instrumento de trabalho
do jornalista brasileiro ainda é a língua portuguesa.
Diria que um bom texto pode ser o diferencial para conseguir
um emprego. Todas as vezes que topei com um candidato
com bom texto, ele teve preferência.
Leonardo
diz: Li o livro Noticias do Planalto, onde o Sr.
Marcos Sá é muito citado. Gostaria de saber qual foi a
repercussão desse livro na imprensa.
Leonardo, Notícias do Planalto, teve imensa repercussão
nas redações. Fui citado muito, porque na época que as
coisas aconteceram eu era editor geral do Jornal do Brasil...
eu estava em um lugar chave.
B.L.
Paiva diz: Sair da Veja para ser editor de um site
jornalístico tão social e, aparentemente, livre de pressões,
deve ter sido uma enorme mudança. A liberdade foi uma
das molas para esse novo projeto? Como você administrou
essas as novas possibilidades?
B.L. Paiva., saí da Veja para a Época e da Época para
a No. ... O que acho mais interessante da No., é que depois
de burro velho vim participar de um espaço enorme de liberdade.
A internet é sim um espaço de liberdade que ainda nem
exploramos direito. E falo de liberdade de maneira ampla.
felicia
diz: Como a No. se mantém financeiramente? Parcerias,
publicidade, investimento?
felicia, A no. é um investimento que tem dois anos para
se consolidar. Ela está perto do primeiro ano de vida.
Já possui alguns anunciantes e agora surge uma fonte inesperada
de recurso, o copy write. Alguns veículos estão pagando
pelo direito de publicar os artigos da No. Nós nunca pensamos
nisso, mas fomos procurados e está dando certo.
Essa
conversa foi tão interessante que a mantive em pé, numa
esquina do Rio de Janeiro e não me estressei. Obrigado
a todos por isso. Para quem quiser conversar mais, meu
e-mail é mcorrea@no.com.br
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