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Heródoto
Barbeiro
Jornalista
e professor, Heródoto
é gerente de jornalismo da Central Brasileira
de Notícias (CBN), em São Paulo. Na emissora,
comanda, todas as manhãs, o Jornal da CBN. Na TV Cultura,
também de São Paulo, apresenta o Jornal da Cultura.
Bacharel em jornalismo e em direito e pós-graduado em
história, Barbeiro é co-autor do livro Ensaio
Geral - Brasil 500 anos.
Pandora:
Boa noite! Há quanto tempo você trabalha na Cultura?
Pandora, na Cultura eu trabalho há nove anos no telejornalismo
onde já apresentei programas como o "Roda Viva",
o "Opinião Nacional" e agora o "Jornal
da Cultura".
Barrichelo diz: Qual é sua opinião sobre a atuação
da mídia no caso Eduardo Jorge?
Barrichelo, a mídia tem dado um apoio importante por meio
de investigações que estão possibilitando
descobrir o tráfico de influência que existe no governo
federal.
Lucla:
Escuto seu jornal da CBN todas as manhãs. Às vezes
sinto que falta assunto. Alguns correspondentes falam de maneira
complicada sobre assuntos simples. Como melhorar a qualidade dos
jornais ao vivo?
Lucla, o jornalismo ao vivo sempre traz riscos maiores de erro,
porém isso não justifica a sua má qualidade.
É necessário aprimorá-lo constantemente e
um dos deveres do jornalista é descomplicar os assuntos.
tininha: Boa noite, Heródoto! Gostaria de uma opinião
sua. Sou bacharelanda em Artes Plásticas e estou terminando
o curso, já visando um mestrado. Mas tenho grande interesse
na área jornalística, principalmente em jornalismo
cultural. Você acha que alguém sem formação
específica no jornalismo poderia unir estas duas áreas?
Como funciona a questão de colaboradores nos jornais e
revistas? O que eu deveria fazer a princípio pra tentar
entrar neste mercado?
tininha, inicialmente, se conhece bem o jornalismo cultural, você
pode participar como colunista. mesmo que não tenha feito
o curso de jornalismo. Contudo, na minha opinião, vale
a pena tentar fazer o curso, uma vez que são raros jornalistas
que conhecem bem essa área.
Anônimo1:
Qual é sua opinião sobre o derramamento de petróleo
nas águas brasileiras?
Anônimo1, isto é uma demonstração da
incompetência da Petrobras e mais um afache da impunidade
geral que reina no Brasil.
Debora:
Boa noite, Heródoto. Sou professora em uma universidade
paranaense e gostaria, antes de mais nada, de saber como poderíamos
manter contato para um evento com os universitários.
Debora, você pode se comunicar comigo pelo e-mail herodoto@cbn.com.br.
Kromwell: Gostaria de saber por que tiraram o programa sobre meio
ambiente que havia na CBN?
Kromwell, nós não tínhamos um programa fixo
sobre meio ambiente na CBN; contudo, sempre que é notícia,
esse assunto é abordado em todos os programas.
Henrique: Quando e por que você escreveu o livro "Ensaio
Geral - Brasil 500 anos"?
Henrique, escrevi no ano passado como forma de popularizar alguns
conhecimentos gerais da história do nosso País.
Ele não é um livro de pesquisa, mas apenas de divulgação.
Para ser lido em um fim de semana.
schasda: Por que o jornal da CBN é muito mais informativo
e pouco "formativo"? É uma postura sua ou exigência
da diretoria da emissora?
schasda, ele é mais informativo porque esta é uma
decisão editorial. Eu acredito que jornalista deve informar
e não impor a sua opinião sobre a coletividade.
Barrichelo: Heródoto, eu falo do Nordeste, e como telespectador,
muito me envergonha, principalmente por ser da classe jornalística,
o fato de se usar o poder da palavra em benefício de poucos
(políticos), como acontece aqui (em Sergipe). Na sua opinião,
o que deveria ser feito para limitar esse poder: um código
de ética, por exemplo?
Barrichelo, um código de ética é necessário
para impor limites aos excessos da profissão. Quanto à
democratização, hoje a Internet está se incumbindo
de abrir essa possibilidade a todos.
Debora: Aqui, no Paraná, encontramos muitos acadêmicos
atuando livremente, mesmo sem estágio regulamentado na
nossa profissão. Vemos também os profissionais criticando
muito esta atuação e o mercado exigindo experiência
dos jornalistas, sejam eles recém-formados ou não.
Como você vê a atuação dos acadêmicos
no jornalismo? Acha que deveria ser viabilizada a regulamentação
do estágio?
Debora, sou totalmente favorável à liberação
do estágio e creio que as empresas de comunicação
deveriam receber estudantes desde o primeiro ano do curso. Os
dois lados sairiam ganhando.
Cíntia: Heródoto, o que você acha do jornalismo
on line como opção para os estudantes novos?
Cíntia, acho que é um avanço que está
embutido na nova economia do final do século 20. É
uma oportunidade que deve ser agarrada com as duas mãos.
Tereza Perazza: Hérodoto, tenho grande interesse em cursar
jornalismo e já ouvi dizer que a rotina é muito
desgastante. Há muitos perigos nessa profissão?
Tereza, há muitos perigos nesta profissão. Você
corre risco de perder o seu emprego e o estresse constante pode
pôr em risco a saúde da pessoa. Portanto, é
uma profissão aconselhável para pessoas que desenvolvam
o auto-controle.
Lucla: Qual foi/é o impacto da Internet na vida do jornalista?
Aumenta a audiência? Aumenta o campo de trabalho? É
mais um concorrente?
Lucla, é mais um concorrente, o que é bom para a
sociedade. Ao mesmo tempo, aumenta a oferta de trabalho e democratiza
a informação.
tininha: Eu queria saber o que poderia fazer para estabelecer
um contato com alguma mídia. Deveria escrever alguma matéria
e sair enviando aleatoriamente, ou só mesmo conhecendo
alguém da área que possa ao menos abrir uma porta?
tininha, se você for jornalista, sugiro que apresente seus
trabalhos em um veículo de comunicação, pois
a sua chance de trabalhar na área vai ser maior.
Henrique: Gostaria de saber por que "eliminaram" o jornal
da Cultura "60 Minutos"?
Henrique, porque a Cultura está passando por uma reformulação
e um novo jornal entra no ar no próximo dia 14.
Renan: O que levou você a optar pela religião budista?
Renan, entrei no budismo por livre opção, tentando
conhecer uma nova realidade religiosa. Desde então, continuo
praticando o zen budismo.
MarcosGRS: Grande Heródoto, é um grande prazer teclar
com você. Adoro seu programa pelas manhãs e gosto
muito de seus comentários.
MarcosGRS, obrigado. Gostaria de pedir a você que continuasse
me acompanhando. Um abraço.
Renan: Você é favor da Lei da Imprensa?
Renan, sou totalmente contra. Acho que os jornalistas não
devem ser privilegiados, devem responder como qualquer outro cidadão
pelos códigos penal e civil.
Marcio: Boa noite, Heródoto. Pena não poder tido
a honra de novamente participar de sua conferência no 2º
Mutirão Brasileiro de Comunicacão. Pergunto: como
podemos, como cidadãos, lutar por uma comunicacão
democrática, já que temos no Brasil uma concentracão
de mídia nas mãos de poucas pessoas?
Marcio, temos de exigir uma lei que limite a propriedade dos veículos
de comunicação nas mãos de poucos. É
preciso pressionar o Congresso Nacional e usar o máximo
possível a Internet.
Ellen: Heródoto, em primeiro lugar, parabéns pelo
profissionalismo e competência! Sei que os jornalistas devem
ser neutros quando transmitem alguma notícia ou até
mesmo quando entrevistam. Como você se sente não
podendo demonstrar "diretamente" a sua inclinação
ou opinião?
Ellen, há muitas formas de você mostrar a sua opinião.
Uma delas é quando você faz perguntas porque elas
contêm uma escolha opinativa.
Marcus: Na sua opinião, qual é o futuro do jornal
impresso, com o surgimento do jornalismo on line?
Marcus, creio que o jornal impresso, em papel, vai desaparecer
e será substituído por telas que vão conter
um conjunto de notícias escolhidas pelo leitor.
Tereza Perazza: Heródoto, depois da criação
da Internet, ouvi muito que a era do papel estava para acabar.
Você acredita nisso? Você acha que existirá
uma geração sem o prazer de ler um livro enrolado
em um cobertor?
Tereza, acredito que não é o material que faz livros,
são as idéias que ele contém; portanto, não
importa se ele está escrito em pergaminho ou em uma tela
de cristal líquido.
SAMUEL: Por que o noticiário do rádio não
repercute tanto hoje como antigamente?
SAMUEL, porque o rádio perdeu prestígio com o desenvolvimento
de outros veículos, principalmente da televisão.
Barrichelo: Heródoto, tenho de ir. Mas gostaria de dizer
a você que na minha opinião a principal qualidade
que deve apresentar um jornalista é "credibilidade"
e esta você tem de sobra. Parabéns pelo seu trabalho.
Barrichelo, obrigado e espero continuar contando com a sua audiência.
Marcus: O nome da faculdade conta muito na hora da procura de
emprego?
Marcus, não. O que conta é a competência de
se fazer jornalismo.
bamboo: Você tem alguma aspiração política?
bamboo, sim, tenho, sou filiado ao PT.
Cíntia: O que você acha da censura? Acha que em alguns
casos ela é necessária?
Cíntia, sou absolutamente contra qualquer tipo de censura.
Cabe às pessoas escolherem aquilo que elas querem ver e
ouvir.
Renato1: Boa noite, Heródoto. Minha pergunta é também
acerca de acadêmicos no ambiente do jornalismo. A Fapesp
lançou uma programa especial de bolsas para aperfeiçoamento
em Jornalismo Científico. Você acha que a ciência
brasileira, e as universidades públicas, teriam maior apoio
se mais "Mônicas Teixeiras" fizessem trabalhos
de excelência, como aquele sobre o projeto Genoma ?
Renato1, creio que há um amplo campo para o desenvolvimento
científico de boa qualidade, como o feito pela Mônica.
A ciência brasileira dá amplo espaço para
a atuação de jornalistas.
Tereza Perazza: Heródoto, gostaria de saber se você
acha possível hoje em dia um meio de comunicação
(jornal, TV, rádio) conseguir passar a informação
sem "alienar" a sociedade para o ponto de vista deles,
como eu acho que fazem várias revistas informativas e jornais.
É possivel, hoje em dia, trabalhar em um jornal que não
formule as notícias do modo mais favorável a ele,
sem pensar no leitor?
Tereza Perazza, creio que cada veículo de comunicação
tem a sua própria linha editorial, como existem vários
cabe ao leitor/telespectador escolher aquele que julga melhor.
Niguém deve se informar por apenas um único meio
de comunicação.
Painkiller: Como você se sente dando tantas notícias
ruins, todos os dias, tantos acontecimentos tristes? Isso lhe
afeta de que maneira? Gostaria de saber qual seria a noticia que
você mais desejaria dar ao povo brasileiro...
Painkiller, as notícias não me afetam - elas são
uma emanação da sociedade. A notícia que
eu gostaria de dar é a do fim da pobreza no Brasil.
cláudio: Fui seu aluno de cursinho em l975 em Ribeirão
Preto. O que ficou daqueles tempos?
cláudio, ficou a experiência de conhecer uma quantidade
enorme de pessoas que contribuíram para a minha formação
intelectual e de caráter. Um abraço.
JulioCps: Em 1997, eu lhe mandei uma carta dando sugestões
sobre como ajudar crianças pobres. O resultado foi que
a CBN me ligou para dar uma entrevista ao vivo para você,
mas no momento fiquei muito emocionado por ser seu grande fã
e não consegui falar direito. Espero lhe conhecer pessoalmente,
você é 10!
JulioCps, obrigado e um abraço.
tininha: Mas sobre o que você disse ao Marcus, sobre o fim
do jornal impresso... Eu ainda acho que estamos engatinhando tanto
em relação a isso... Quero dizer, talvez pelo "imediatismo"
da notícia dada on line, o teor seja sempre bem mais superficial
que na mídia impressa.Você não acha?
tininha, no futuro, você vai encontrar online tanto as notícias
rápidas como os grandes debates e as reportagens profundas.
Veja o site do Observatório de Imprensa.
Kromwell: Heródoto, você tem muitas atividades.
Quais são as melhores sugestões para gerenciar bem
o tempo?
Kromwell, a melhor sugestão é você gostar
do que faz e planejar bem cedinho todo o seu dia. Assim você
consegue mais tempo.
daniel POA: Heródoto, sou estudante do último ano
de jornalismo, trabalhei dois anos como repórter do Jornal
do Comércio de Porto Alegre, mesmo sem estar formado. Agora
que o prazo do estágio expirou, não consigo emprego
em lugar algum. Esta é uma praga dos formandos?
daniel POA, não é. O desemprego atinge também
os jornalistas experientes. Infelizmente.
Dalmo -SP: A pouco, você disse que filiado ao PT. Como consegue
separar as coisas quando tem de entrevistar um político
do seu partido ou quando tem de entrevistar um de outra ala?
Dalmo -SP, da mesma forma que sou corintiano, quando entrevisto
um jogador de qualquer time, procuro sempre a isenção.
Isso vale para qualquer outra escolha pessoal minha, como religião,
amizades, preferências etc. Acho que as pessoas que me acompanham
têm o direito de saber as minhas preferências para
assim me fiscalizarem melhor.
Arquimedes: A mídia às vezes é agressiva
demais, às vezes é muito conservadora. Como podemos
nos posicionar em um quadro como este?
Arquimedes, a mídia não tem o direito de ser agressiva
com ninguém. Mídia não é tribunal
nem delegacia de polícia. Jornalista não pode colocar
as suas preferências políticas acima da busca da
verdade.
Zeek: Você está há quantos anos no telejornalismo?
Zeek, estou há 12 anos no telejornalismo.
daniel POA: O que você acha dos programas de treinamento
como os oferecidos aos estudantes de jornalismo pela Folha de
S. Paulo?
daniel POA, acho excelentes e deveriam ser imitados por outros
veículos de comunicação.
tininha: Como conseguir tamanha imparcialidade em situações
claramente absurdas de corrupção, opressão,
crimes de colarinho branco etc, os quais estão tão
às claras mas que a maioria faz vista grossa mesmo, pensando:
"É apenas mais um..."?
tininha, apenas seguindo os princípios éticos do
jornalismo de isenção e busca da verdade.
Horse: Heródoto, na minha opinião pessoal, você
tem um jeito de pegar na ferida dos entrevistados. Algum entrevistado
já se irritou muito com isso?
Horse, já, vários. Mas é minha obrigação
como jornalista fazer as perguntas que a opinião pública
quer e ouvir as respostas.
Agradeço as perguntas e quero dizer que faço
comentários sobre política duas vezes por semana
no site Supernet 11, escrevo uma coluna sobre história
no aol.com.br e, aos sábados, no jornal Diário
Popular. Espero vocês logo mais no Jornal da Cultura e
amanhã cedo no Jornal da CBN. Um abraço e obrigado
a todos.
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