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Gisela
Kassoy
Consultora na área de recursos humanos. Ela
atua em empresas com treinamento e coordenação
de grupos de produção de idéias e tomada
de decisões. Gisela é formada em comunicação
e especializada em metodologia do ensino da criatividade pela
Universidade de New York. Já foi colaboradora do caderno
de Empregos do jornal Folha de S. Paulo e é palestrante
na área de inovação e criatividade.
Joana: O que deve-se levar em conta na hora de escolher um
profissional?
Joana, depende muito do profissional que a empresa está
procurando. Dependendo do cargo, a empresa precisa de alguém
com bom relacionamento ou que lide bem com pressão externa.
Não existe um profissional certo, existe o mais adequado
para cada cargo.
Raimondo: Você não acha que falta bom senso nas decisões?
O uso de feeling não é uma desculpa para quem não
tem informações em que se basear? Tantas metodologias
e o tempo que as mesmas tomam dos decisores não atrapalham
nas decisões?
Raimondo, às vezes faltam mesmo informações
e o feeling é um dos poucos instrumentos que temos. Quanto
às metodologias, às vezes é melhor perder
um pouquinho de tempo com elas que tomar decisões erradas.
Raimondo: Você não acha que psicólogos nas
empresas poderiam ser usados de forma estratégica e analítica
no apoio a decisões?
fala com Moderador Raimondo, sim, por que não? É
uma boa idéia. Eu usaria os psicólogos como facilitadores
e/ou pessoas capazes de analisar os aspectos comportamentais das
decisões e dar um feedback para o grupo.
Raimondo: Na verdade, minha última pergunta se baseia no
fato de os decisores serem seres humanos e que, na média,
todos são influenciados da mesma forma e deveriam se preparar
para se auto analisarem também antes de tomar uma decisão.
Raimondo, você tem razão, eu só diria que
as pessoas são influenciadas de formas diferentes. Para
alguns, os dados são mais importantes, outros se mobilizam
mais pelo feeling; há também os mais otimistas e
os mais pessimistas. O papel do psicólogo ou de qualquer
facilitador é administrar esta diversidade da forma mais
produtiva possível.
Raimondo: Além do mais, sabemos que os grandes erros ocorrem
por detalhes subjetivos.
Raimondo, produtivo quer dizer aproveitando os diferentes pontos
de vista.
Ribeiro diz: Você não acha que o RH dentro de uma
empresa tem um papel importante na orientação da
tomada de decisão e, de repente, não atua focado
neste aspecto?
Ribeiro, acredito que o RH deveria realmente se envolver mais
com os processos de tomadas de decisões. Em primeiro lugar,
capacitando as pessoas com treinamento específico em tomadas
de decisões. Em segundo lugar, deixando bem claro qual
é a amplitude da decisão de cada um, ou seja, não
adianta a empresa estimular decisões que ela mesma não
vai acatar. Em terceiro lugar, os colaboradores precisam ter a
certeza de que se uma decisão lhes foi delegada, o seu
risco será de alguma forma protegido.
Raimondo: Por que as empresas dizem, por exemplo, que gostariam
de pessoas próativas, criativas, quebradoras de paradigmas
etc, mas se você for realmente assim está se arriscando
a ter problemas?
Raimondo, próatividade e criatividade envolvem riscos.
É justamente o que eu estava dizendo para o Ribeiro - como
funcionário, eu devo saber até onde eu posso arriscar
com a minha criatividade e com as minhas decisões.
Ribeiro: A cultura de uma empresa é importante dentro de
um processo decisório?
Ribeiro, claro! Culturas centralizadoras não favorecem
decisões tomadas nos diversos escalões da empresa.
Fabio: Boa tarde. Preciso contratar profissionais com características
específicas para a nossa empresa, mas temos o costume de
contratar as pessoas sem metodologia nenhuma. Como posso proceder
mais tecnicamente?
Fabio, acho que você deve procurar conhecer diferentes metodologias
e/ou contratar um profissional para ajudá-lo nas contratações.
Peter: As empresas brasileiras, no geral, estão prontas
para receber profissionais criativos e empreendedores sem bagunçar
a estrutura hierárquica da companhia ou criar um clima
de competição chefe-subordinado, que termine em
perdas para todos os lados?
Peter, depende da empresa. Eu diria que a maioria está
em transição e, às vezes, "pisa na bola"
ao contratar pessoas criativas, estimular o comportamento criativo
e depois não saber como lidar com isso. Quanto à
competição chefe-subordinado, esta é uma
questão diabólica: qualquer ser humano tem inveja
por não ter tido uma idéia antes. Se for o chefe,
então, e se ele for levar bronca do seu chefe por não
ter tido a idéia, é lógico que ele vai ficar
enciumado. Isto é uma típica questão de cultura
organizacional e, como você disse, com perdas para todos.
Dani1: Qual é o grau de influência que a capacidade
de decisão de uma pessoa exerce na hora de conseguir um
emprego ou uma promoção? Vale mais do que a competência?
Dani 1, quanto mais alto o cargo, mais importante a capacidade
de tomar decisões. Competência a gente adquire rápido.
Vânia: Boa tarde. Gostaria de saber como você pensa
a questão da liderança no terceiro milênio
dentro das grandes empresas. Ou seja, se hoje não basta
mais saber fazer, é preciso também saber pensar,
acredito que treinamentos não resolveriam isto. Qual é
a saída então?
Vânia, os treinamentos ensinam a pensar melhor. Por exemplo,
você pode fazer uma simulação e ensinar a
pensar a partir dela.
Fila: O que você considera importante para uma tomada de
decisão correta?
Fila, é importante avaliar conseqüências a médio
e longo prazo, riscos e benefícios e diferentes pontos
de vista. É importante também estar aberto para
modificar as decisões no decorrer de sua implementação.
Tom-Maceió: Nós temos futuro, no tocante à
competitividade, em um mundo globalizado, no qual outros países
investem maciçamente em educação e preparo
profissional, com uma população com grande percentual
de analfabetos? Que saídas temos?
Tom-Maceió, claro que temos futuro. Temos de investir muito
em educação, claro, mas temos também de começar
a valorizar nossos pontos fortes e faturar em cima deles.
EdVentura:
Boa tarde. O papel do profissional de RH parece, pelo meno no
Brasil, estar longe de ser mais tático e menos técnico,
principalmente para o profissional que atua em empresas de pequeno
e médio porte. Onde está esta resistência,
já que estamos vivenciando a era do conhecimento?
EdVentura, de fato o profissional de RH nem sempre está
capacitado a pensar mais estrategicamente. Ele deve se capacitar
e também saber vender seu peixe.
Peter: Nos países mais desenvolvidos, essa relação
de estímulo ao comportamento criativo e a relação
deste empregado com seus superiores já são mais
claras?
Peter, eu conheço bem a experiência americana. De
fato, eles são menos centralizadores e o que vale é
a bola na rede.
Tom-Maceió diz: Quais são nossos pontos fortes que
você fala? Pode citar alguns exemplos?
Tom-Macéio, nossos pontos fortes são: jogo de cintura,
habilidades interpessoais e até o humor, que ajuda muito
nos momentos de tensão. Nossa capacidade de improviso é
notável e por isso muitos executivos brasileiros arrumam
facilmente emprego lá fora.
Francisco: Olá, Gisela, é um grande prazer participar
desta entrevista. Admiro muito seu trabalho. Em uma empresa de
informática, qual é a melhor atitude do gerente:
contratar um formado em Informática, ou outro com um curso
pós-médio, porém com experiência em
dar aulas?
Francisco, obrigada por me admirar. Você não disse
se este gerente vai precisar dar aula, então a minha resposta
é depende.
Zenaide: A tendência, hoje em dia, é termos funcionários,
diretores e gerentes que atuam em diversas áreas ao mesmo
tempo. Como exigir qualidade em todas as áreas, tendo conhecimentos
superficiais de tudo um pouco?
Zenaide, não acho que é o caso de termos apenas
conhecimentos superficiais. O desafio é ser especialista
em uma ou duas coisas e ser também um bom generalista.
MauroM: Gostaria de saber qual é sua opinião a respeito
de tomadas de decisões operacionais. Como podemos saber
em qual nível é possível permitir a tomada
de decisão?
Mauro M, para a redução de custos operacionais,
melhorias e qualidade de vida no trabalho, as melhores pessoas
para sugerir e decidir são os que estão com a mão
na massa. Só acho prudente delimitar até onde vai
a decisão.
Betty: O que se espera realmente de uma tomada de decisão?
betty, a melhor decisão possível. A que trará
maiores benefícios a curto e longo prazos.
Souza: A qual teoria devo atribuir uma empresa repleta de departamentos
e comando descentralizado e profissionalizado?
Souza, as empresas departamentalizadas não são apenas
fruto destes antigos gurus, elas refletem toda uma cultura. O
exército, as escolas, os hospitais e igrejas, também
eram departamentalizados.
MauroM: Qual é a dica para saber se você está
tomando a decisão correta ou não? Devemos sempre
seguir um procedimento sistematicamente ou a capacidade de improviso
pode ser considerada? Nesse último caso, não se
corre o risco de impacto em todo processo?
MauroM, os procedimentos reduzem os riscos, mas em um mundo, como
o nosso, não existe risco zero nas decisões. O improviso
não pode ser confundido com irresponsabilidade ou feeling.
Ele deve ser evitado, mas nem sempre é possível.
Tom-Maceió: Concordo com você quanto à nossa
mão de obra qualificada. Mas refiro-me ao nosso grande
contingente de analfabetos e despreparados. O que acontecerá
com eles? Afinal, são seres humanos e merecem um lugarzinho
neste mundo também...
Tom-Maceió, então vamos alfabetizá-los!
MauroM: Quando abrimos exceções, não corremos
o risco de que essas exceções virem padrões
no futuro, prejudicando o sistema com uma tomada de decisão
inadequada? Como podemos discernir esses casos?
MauroM, as exceções podem também ajudar o
sistema.
Consonni: Gisela, concordo que o humor ajuda, mas não pode
ser interpretado como uma insubordinação por parte
do funcionário?
Consonni, nem todo humor é irreverente. Este sim pode ser
visto como insubordinação.
Francisco: Desculpe-me, vou reformular: se esta empresa trabalha
principalmente na parte de cursos, quem seria mais indicado como
instrutor: uma pessoa recém saída de uma faculdade,
porém sem experiência, ou outra com um curso pós-médio
em processamento, porém com uma experiência de três
anos em dar aulas?
Francisco, eu tinha prometido que não ia tomar decisões
para ninguém, mas eu pegaria o que tem experiência
em dar aulas.
MauroM: Nos últimos tempos, considero que errei nas últimas
quatro importantes decisões da minha vida. Estou a um passo
de uma outra decisão. Como saber que lado seguir? Haveria
um fluxo ou processo que transformassem essa questão em
uma forma exata para que não houvesse erro?
Mauro M, vou te recomendar um livro, ok? Se chama "Os Seis
Chapéus" e é da Editora Ediouro. Ele sistematiza
todos os aspectos que você deve levar em consideração
na tomada de decisões. Boa sorte da próxima vez
mas, sinceramente, acho que não existem decisões
erradas - existem erros de percurso e ganho de experiências.
Do ponto de vista organizacional, não se pode dizer isso.
Do ponto de vista pessoal, sim.
Marcos: Qual modelo de contratação você acha
mais vantajoso para a empresa? O recrutamento interno ou externo?
Marcos, já recebi várias perguntas pedindo o "certo",
o "ideal", mas isso não existe. Tomada de decisões
é justamente a habilidade em considerar o maior número
de variáveis possíveis.
Dani1: Qual é a relação entre criatividade
e tomada de decisão?
Dani1, criatividade envolve tomada de decisões na medida
que precisamos decidir qual é a melhor idéia e como
implantá-la. Decisões envolvem criatividade para
justamente fugirmos das fórmulas certas e conseguirmos
enxergar diversas possibilidades.
MauroM: Gisela, vou tentar citar um exemplo: um técnico
instala um produto de favor a um cliente porém, quando
outro técnico visita esse mesmo cliente e recusa-se a prestar
tal favor, o mesmo é "queimado". Qual técnico
você considera que danificou o sistema?
MauroM, desculpe, não entendi! Mas perceba que este chat
é para todos, não dá para analisar caso a
caso.
Dani1: O que as empresas mais avaliam em um profissional: criatividade
ou capacidade?
Dani1, criatividade é uma capacidade - entre as muitas
que um profissional deve ter.
Mônica_BsB: Trabalhei na administração de
um shopping aqui em Brasília e presenciei uma demissão
quase que em massa da diretoria, realizada pela nova superintendente.
É comum acontecer isso nas empresas - toda vez que entra
um diretor novo, rolam muitas cabeças? Na sua opinião,
isso é prudente? O que é melhor para um novo diretor?
Dirigir a antiga equipe fazendo pequenas alterações
ou demitir em massa, contratando pessoas que já começaram
com o novo ritmo?
Mônica_BsB , você deu um típico exemplo de
uma decisão difícil de ser tomada. Há decisões
nas quais se opta pelo menos mal.
Dani1: Quais são os fatores que influenciam uma má
tomada de decisão? Como evitá-los?
Dani 1, a reação em vez da decisão, ou seja,
decidir sem pensar. Evite as decisões que vêm tipo
receitas prontas, extremo otimismo ou extremo pessimismo.
Rangel: Preciso comunicar ao meu funcionário sobre o seu
aviso prévio?
Rangel, claro, isto é um direito legal dele.
Alex: Sei que você não é economista, mas realmente
acredita que o Brasil é a bola da vez para os próximos
cinco anos?
Alex, o Brasil tem potêncial para isso. Ele tem de se capacitar
com educação, ética, espírito comunitário
e visão de longo prazo. Falta também auto estima.
EdVentura: O que é preciso estudar para tornar-se profissional
de RH?
EdVentura, a maioria dos profissionais tem formação
em psicologia, mas acho que haverá mais demanda para sociólogos
e administradores de empresas.
Dani1: As empresas estão preparadas para profissionais
que tomam decisões por si mesmos, quer dizer, que não
sentem aquela dependência da hierarquia?
Dani 1, algumas ainda estão presas à hierarquia,
mas veja: descentralização das decisões é
um aprendizado para todos nós.
Gabarron diz: A frase "as empresas preservam a incompetência"
é falsa ou verdadeira?
Gabarron, falsa. Temos mania de achar que todas as empresas são
ruins e isso não é verdade.
Samira: Gisela, tenho vários funcionários no meu
grupo que não têm capacidade para a função
que exercem, porém precisam muito do trabalho. Estou planejando
solicitar o desligamento dos mesmos . O que você acha? Como
devo fazer isso, ou melhor, qual é a forma mais tranqüila
para realizar esses desligamentos?
Samira, pense bem antes de desligá-los. Você já
tentou treiná-los?
Dani1: Já estive com alguns executivos que não acreditam
nem aceitam decisões baseadas em feeling. Dizem que o importante
é o conhecimento e a experiência sobre determinado
assunto. Como você julga isso?
Dani 1, há também teóricos e até executivos
que dizem que o feeling é justamente fruto do conhecimento
e da experiência, portanto, negar o feeling como instrumento
é até um desperdício. Por outro lado, basearmo-nos
apenas nele é muito arriscado. Que tal confrontarmos feeling
com informações?
Gente, foi um prazer. Espero ter ajudado. Coloco o meu site
a disposição: www.giselakassoy.com.br. Meu e-mail
é: gisela@uol.com.br.
Um abraço!
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