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Antonio
Carlos Manfredini
Formado
em engenharia de produção e física, é mestre em administração
de empresas pela FGV e doutor em economia. Mannfredini ainda
integra o conselho editorial da Revista de Economia Política
e tem realizado trabalhos de consultoria e treinamento para
diversas empresas como BNDES, Caterpillar, CPFL, Cesp, Klabin
e Souza Cruz. Neste chat, ele vai conversar sobre perspectivas
da economia do País e do mundo em 2001.
Camila diz: olá Manfredini! Gostaria de saber como você enxerga
o mercado de Internet para os próximos anos no Brasil.
Camila,
acho que será um mercado promissor, mas sem os exageros que
nós temos assistido no passado recente. Todo setor novo traz
consigo boas promessas e também riscos. Descartados exageros
recentes, o mesmo acontecerá com a Internet.
Econo diz: O que você diz a respeito do desenvolvimento brasileiro
no ano de 2000 economicamente foi bom ou ruim para o País?
Econo,
acho que foi o melhor dentro das condições possíveis. Está longe
de ser o que nós gostaríamos, mas a economia não é sobre desejos,
mas sobre possibilidades e a forma de realizá-las.
Jose Maria diz: Gostaria de obter uma informação sobre o
assunto em moda agora: OVEREDUCATION. Existe isto ou é apenas
um modismo?
Jose Maria, embora a palavra seja nova, a idéia é antiga.
Como tudo em economia, um fator pode estar super dimensionado.
Assim uma pessoa pode se sobre educar em relação as possibilidades
a um dado mercado. Portanto, existe. O uso do termo é provavelmente
um modismo. Se possível, separe as duas coisas.
Rosana diz: Acredita que essa bagunça na economia da Argentina
pode afetar ainda mais a economia do país?
Rosana,
pode sim. Para os investidores internacionais pode existir uma
percepção confusa do risco de diferentes países. Além disso,
quando a economia da Argentina vai mal o Brasil perde o seu
terceiro maior mercado ed exportação depois dos EUA e da União
Européia. Portanto, nos afeta via percepção dos mercados financeiros
e via demanda por nossas exportações, no mínimo.
Rosana diz: Como o sr analisa a `carreira` do Real no Brasil?
Foi bom ou ruim? Será que dessa vez é para sempre ou é mais
uma moeda passageira?
Rosana, acho que quase todos nós concordamos que como estabilização
monetária (fim da inflação) o Real foi um sucesso. Do ponto
de vista do crescimento econômico, obviamente que não. Mas isto
não tem nada diretamente a ver com o Real, mas com as nossa
hesitações em criar um regime fiscal viável. Enquanto isso não
acontece, é preciso manter as taxar reais de juros altas, freando
o crescimento da economia. A propósito, Mendonça de Barros e
Malan estão duelando nos jornais, mais uma vez a respeito disso.
Comrade diz: Você acha que compensa fazer um MBA no exterior
ou temos cursos aqui mesmo no Brasil de mesmo nível?
Comrade,não
existe tal coisa como um MBA no exterior, assim como não existe
um MBA no Brasil. Existe sim MBA em uma certa escola no exterior
ou em uma certa escola no Brasil. Você não deve comparar geografia,
mas qualidades dos cursos.
Rogério diz: Percebemos um crescimento na economia do País.
Em função disso, como você vê a oferta de emprego e que mercados
estão mais privilegiados?
Rogério,
O IBGE apurou e todos os jornais publicaram que o desemprego
na região metropolitana de São Paulo, embora continue alto é
o mais baixo desde 91. Portanto é claro que estamos criando
empregos.Setores que estão recebendo investimentos pesados,
especialmente a indústria de telecomunicações, têm sido empregadores
mais generosos.
Comrade diz: E quanto ao Euro, o senhor prevê um futuro promissor,
ou não passa de chacota?
Comrade,
o Euro passará por uma infância turbulenta entre outros motivo,
pela dificuldade transitória de coordenar as políticas fiscais
dos países que o adotam. Haverá ainda, insatisfação e alguns
sobresaltos, mas terá um futuro promissor. Será um adulto saudável.
Jose
Maria diz: Como está o nível e a valorização dos Executive MBA
ministrados no Brasil em relação aos internacionais?
Jose
Maria, como resultado da enorme desinformação no mercado brasileiro,
a expressão Executive MBA tem sido usada em um espectro muito
abrangente de cursos que vão desde muito bons até os de qualidade
suspeitíssima. Levará um tempo até que o mercado separe o joio
do trigo. Enquanto isso, tome cuidado. E como já respondi nesse
chat, compare qualidade e não geografia
Econo
diz: Com a queda da taxa (índice das ações de tecnologia) na
Nasdaq de quase 6%, isso pode repercutir a favor ou contra o
desenvolvimento da economia Brasileira?
econo,
quando aconteceu essa taxa de 6%, hoje? A taxa acumulada é muito
maior. Embora o efeito não seja direto, o efeito sobre economia
brasileira, se algum, é ligeiramente negativo.
Zenaide diz: No embalo da pergunta da Rosana, gostaria de
saber sobre estabilidade econômica de nosso País, países de
1º mundo já estão vendo o Brasil como um país seguro para investimentos
como a Espanha.
Zenaide,
Infelizmente não. Nós nem atingimos os níveis do Chile ou do
México, por exemplo. Nossos papéis ainda não são considerados
"investments grade" isto é, ainda são títulos de alto
risco.
Jose Maria diz: Que futuro tem o Mercosul??
Jose
Maria, do ponto de vista econômico, o Mercosul tem um grande
futuro. No entanto, os países membros terão que aprender a abrir
mão de alguns de seus interesses isolados para poder dar sua
contribuição decidida ao fortalecimento do bloco. Enquanto os
interesses das nações individuais se sobre puserem aos do bloco,
o futuro do Mercosul estará ameaçado. No entanto, o bloco faz
tanto sentido que eu acredito, que mesmo em meio a chuvas e
trovoadas, sobreviverá.
Estudante diz: Há alguns dias atrás, algumas faculdades tiveram
os diplomas de seus cursos de extensão considerados ilegais
pelos CAPES, pois eles eram emitidos por faculdades estrangeiras
mesmo sendo feitos no Brasil? Qual sua opinião sobre o assunto?
Estudante,
eu não tenho conhecimento sobre esses casos específicos. No
entanto, sempre que as escolas estrangeiras ofertarem cursos
de qualidade (e não forem, fábricas de certificados), acredito
que a competição seja bem vinda e saudável.
Rogério diz: Nesses últimos dias o que mais vemos na TV é
a discussão sobre o salário mínimo de `incríveis` R$ 180,00.
Dá para imaginar num crescimento real e bem distribuído da economia,
quando boa parte da população é assalariada?
Rogério,
o salário mínimo é uma referência legal e um indexador. O salário
de verdade se estabelece no mercado. Quando fixamos um salário
mínimo alto demais ( o que todos nós gostaríamos) tudo o que
acontece é que alguns empregos passam para a informalidade.
Infelizmente o que eleva o nível dos salários não são as leis
, mas a abundância de capital (investimentos acumulados em relação
ao trabalho) . Se mudando as leis, pudéssemos mudar os salários,
não haveria razão para termos pobreza nesse país ou no planeta.
Econo diz: Como o senhor analisa o recorde do dólar comercial,
que fechou em 1,98 a venda e 1,978 a compra relacionado à nossa
economia?
Econo,
sempre que o dólar se desvaloriza temos coisas positivas e negativas.
A principal coisa positiva é que as exportações ficam mais competitivas,
a custa de algumas coisas negativas. Entre elas, ficamos um
pouco mais pobres em relação ao exterior e sofremos pressão
inflacionária, porque os produtos importados ficam mais caros
em reais. Sem nenhuma emoção, de forma muito simplificada, esta
é a questão.
Jack diz: A privatização de empresas estatais é um dos instrumentos
utilizados pelo governo Federal para a redução do déficit público.
Qual o interesse do governo na redução do déficit público?
Jack,
o interesse do governo deve ou deveria ser o interesse da sociedade
como um todo e não de parcelas da sociedade. É importante diminuir
o déficit público agora, porque isto levará a uma queda da taxa
de juros e com ela, teremos uma maior taxa de crescimento e
maior geração de empregos.
Jose Maria diz: Como conhecedor dos centros internacionais
de formação de executivos, e sabendo que um mesmo curso (Sloan
Masters) pode ser realizado em diferentes países/instituições;
quais destas: London Business School, MIT e Stanford, você recomendaria,
enfatizando o desenvolvimento dos aspectos pessoal e profissional
do candidato??
Jose
Maria, as três escolas são excelentes, mas com perfis diferentes.
Londres como você sabe é um grande centro financeiro; Stanford
está próximo do Vale do Silício e o MIT, em Boston, tem o perfil
tecnológico daquela região. A escolha depende do seu perfil
e das suas ambições.
FlavorFlav diz: Olá, haveria alguma vantagem para o Brasil
se houvesse uma fusão entre o Mercosul e o Nafta?
FlavorFlav,
essa é uma pergunta complexa. Provavelmente para o Brasil poderia
haver algumas vantagens, mas evidentemente, alguns grupos seriam
muito beneficiados enquanto outros seriam muito prejudicados.
A discussão que você assiste raramenet é técnica, mas ecoa os
interesses de cada uma dessas partes afetadas.
Camila diz: Acredita que existe alguma possibilidade de o
Mercosul adotar uma moeda única como o Euro na Comunidade Européia??
Camila,
acredito sim, mas aqui há muito tempo. Não espere isso dentro
dos próximos 2 ou 3 anos. Há tarefas mais urgentes, inclusive,
como já disse, a consolidação do bloco.
Estudante diz: Qual a melhor hora para pensar em fazer um
MBA? Onde posso ter acesso a informações sobre instituições,
currículos etc
Estudante, para o perfil médio a melhor faixa é entre 3
a 8 anos de formado. Isso nem sempre é possível. Dependendo
do seu perfil, carreira e vida pessoal. As diferentes escolas
provêm informações sobre si mesmas e muita informação pode ser
conseguida nos respectivos sites na Internet, bem como, na associação
Alumni, no British Council, entre outros.
Jose Maria diz: É fato que a desvalorização cambial aumenta
a pobreza dos indivíduos de uma nação em relação ao mundo, como
você mesmo mencionou anteriormente. Baseado neste fato, o que,
como e quando seria possível resgatarmos o nosso poder aquisitvo
"global"?
Jose Maria,
o caminho fácil de fôlego curto e que inevitavelmente termina
em uma crise cambial, embora dê momentaneamente dê uma sensação
de euforia, é promover uma farra cambial, isto é, promover uma
valorização do Real. O caminho correto, mas lento é árduo é
aumentar a produtividade da economia. as esse requer trabalho
duro e muita perseverança, mas é só assim que os países enriquecem
de forma sustentada e elevam o bem estar de suas populações.
Muito obrigado a todos, foi muito bom estar com vocês. Um
bom fim de tarde.
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