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Por
que o Terceiro Setor cresce tanto?
por
Flavia Astorga*
Pressionadas
pela comunidade, opinião pública e governo a contribuir para solucionar
os problemas sociais, grandes empresas brasileiras estão voltando
mais sua atenção para o desenvolvimento de projetos na área social.
A
maior parte investe nas áreas de educação e qualificação profissional,
mas outras áreas também têm merecido destaque: meio ambiente,
alimentação, esporte e saúde. Mas por que as empresas têm se empenhado
tanto?
Hoje,
qualidade, serviços, preços de padrão mundial e marketing inteligente
deixaram de ser diferenciais. É preciso possuir isto tudo e ainda
fazer com que as pessoas gostem de sua empresa, identifiquem-se
com sua marca e tenham satisfação em trabalhar no seu negócio.
Os
primeiros benefícios aparecem logo: funcionários orgulhosos e
consumidores felizes por serem seus clientes (empresas que apóiam
instituições beneficentes capturam 80% a mais de clientes do que
as que não apóiam). Há ainda outros benefícios além do mercado,
como a previsão de que o Terceiro Setor se transforme num celeiro
de lideranças para as empresas.
O
guru da administração moderna, Peter Druker, afirma que as organizações
sem fins lucrativos são verdadeiras pioneiras em uma área vital
da empresa - motivação e produtividade de pessoal. Ele defende
a integração empresa-entidades filantrópicas: as entidades podem
dar aulas de como fazer mais com menos, motivação e trabalho em
grupo.Já as corporações transmitem conceitos como avaliação de
resultados, estabelecimento de metas e parcerias estratégicas.
Como
as empresas têm agido?
Não
basta fazer o bem - é preciso mostrar que ele é feito, mas sem
que pareça uma estratégia de marketing. Assim, em vez de dispersar
recursos filantrópicos em uma dezena de entidades diversas, a
empresa abraça uma única causa e fica conhecida por ela.
Gigantes
da área de tecnologia se destacam nas doações. Elas contribuem
buscando integrar comunidades carentes ao mundo da Web. IBM, Microsoft,
Intel, Compaq, Motorola, Dell e Xerox tentam diminuir a distância
entre pobres e ricos, aproveitando o potencial da Internet.
No
Brasil, onde menos de 3% da população navega na Web, essas companhias
começam a centrar fogo para diminuir o chamado apartheid digital
- os pobres, cada vez mais excluídos da nova sociedade que gira
em torno da Internet.As iniciativas vão desde doação de softwares
e equipamentos para criação de escolas de informática em subúrbios
até o gerenciamento de projetos gigantescos, que pretendem interligar
favelas brasileiras.
A
principal meta dessas empresas ao financiar projetos sociais é
garantir o consumidor do futuro. Por isso, a educação se tornou
o principal foco de atuação social de empresas brasileiras, especialmente
as ligadas à área de tecnologia.
O
setor social sempre viveu da caridade. Hoje procura eficiência
e profissionalização. E aí entram os altos executivos. Alguns
deles emprestam seu prestígio (para arrecadar recursos) e talento
para os negócios (para ajudar na gestão) a entidades filantrópicas.
Mais
do que dinheiro, doam também seu tempo!
*Flávia
Astorga faz parte da Equipe Editorial do Instituto
MVC
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