Conceito de usabilidade facilita navegação em sites e gera boas opções de trabalho
por Juliana Ricci

Pense agora sobre como seria sua vida se o seu automóvel não tivesse volante ou se os ferros de passar roupas ainda fossem pesados e funcionassem à lenha. Seria mais difícil utilizar esses aparelhos, não? Pois é, assim como para os automóveis, os ferros e todos os objetos que usamos, para os sites também são realizados estudos de usabilidade, com o objetivo de torná-los mais práticos e fáceis de serem utilizados.

O conceito de usabilidade, apesar de pouco percebido em nosso dia-a-dia, é fundamental na confecção de produtos e sites, para que eles e a nossa vida fique cada vez mais simples. Além disso, esse é um campo de trabalho que cresce a cada dia, com oportunidades ligadas ao planejamento de sites e aos testes de usabilidade. Por isso, o Senac e a Jump Solutions realizaram recentemente a Oficina Executiva de Usabilidade e Experiência do Usuário, com o objetivo de ensinar como construir sites com alto índice de usabilidade.

Sandro Marques, Gerente de Inovação do Banco ABN Amro, Claudia Obata, Diretora da Alure, e Fabiana Curi Yazbek, Diretora de Marketing da e-bit, foram os profissionais responsáveis pela Oficina. Segundo Sandro, o conceito surgiu há cerca de 2 anos e pode ser entendido como a ergonomia da informação. "A ergonomia estuda a adaptação do homem aos ambientes físicos. A usabilidade consiste em adaptar a informação ao site de forma eficiente, garantindo praticidade em seu uso", explicou.

Algumas definições oficiais e também criadas por estudiosos do assunto ajudam a entender mais sobre usabilidade. Para Jakob Nielsen, polêmico pesquisador responsável por vários importantes conceitos da arquitetura da informação, um bom sistema interativo proporciona: facilidade de aprendizado, eficiência, memorização e suporte a erros.

De acordo com a norma ISO 9241 de qualidade, usabilidade é a "capacidade que um sistema interativo oferece a seu usuário, em um determinado contexto de operação, para a realização de tarefas, de maneira eficaz, eficiente e agradável". Segundo Sandro Marques, a palavra "contexto" utilizada nessa definição nos ajuda a lembrar de que o nível de usabilidade de um site depende da situação em que ele é criado ou avaliado. "Se avaliado por um público ao qual ele não é destinado, certamente o site não será aprovado. Assim, um site para crianças pode não ter usabilidade para adultos. Tudo depende do contexto", disse.

O que fazer então no caso dos portais como UOL e Terra, que oferecem assuntos para todo tipo de público? Claudia Obata, da Alure, empresa que reúne as atividades de consultoria de usabilidade e estúdio de criação, sugere seguir o gosto da maioria. "É preciso identificar o objetivo dos usuários e definir qual é o caminho mais fácil para que o atinjam . Como não dá para criar uma linguagem visual diferente para cada público, é melhor descobrir aquilo que agrada à maioria. De qualquer forma, quanto mais personalizado, melhor", ensinou.

Para Claudia, o profissional que se interessar em trabalhar nessa área deve focar só nesse assunto, porque exige muito estudo e dedicação e também permite aprender muitas coisas, já que está relacionado ao Marketing, à Psicologia, à Antropologia, Computação Gráfica, Ciência da Computação, ao Design Gráfico e ao Desenho Industrial. "Pessoas dessas e de qualquer outra área podem trabalhar com usabilidade. É preciso que o profissional tenha interesse pela internet, goste da questão da experiência, seja curioso, e se interesse por estudos comportamentais, afinal o principal foco da usabilidade são os usuários dos sites e seus desejos", afirmou.

Na prática

Além da vasta literatura, que ajuda a entender e aplicar regras na prática, analisar a navegação de sites que já estão no ar e seguir a vontade do usuário são as maneiras mais fáceis de aprender a construir sites "usáveis". "Juntar a usabilidade do site com o prazer por utilizá-lo é o verdadeiro resultado para quem trabalha nessa área", disse Sandro Marques durante a oficina.

Para Claudia Obata, o desafio dos profissionais de usabilidade é "criar soluções adequadas aos modelos mentais dos usuários, tornar sua experiência mais rica, desenvolver produtos inovadores e buscar tecnologias que permitam viabilizar as soluções planejadas".

A especialista listou algumas práticas que geralmente denunciam um site com problemas de usabilidade:

  • Menu com itens que significam a mesma coisa, exibidos na mesma página.
  • Scrollbar (barra de rolagem) que não parece uma scrollbar, confunde-se com o layout da página.
  • Elementos interativos que não parecem interativos, como uma foto sem link.

1, 2, 3....Testando

Segundo os especialistas da Oficina de Usabilidade e Experiência do Usuário, a usabilidade de um site é tão importante para a satisfação dos usuários que já deve ser pensada no momento do planejamento do projeto. Ainda assim, com o site pronto, é preciso realizar testes de usabilidade. Além disso, todo e qualquer site pode e deve ter sua usabilidade testada periodicamente.

Uma das maneiras mais eficientes de realizar o teste é convocando usuários que estejam dentro do perfil do público do site para, junto com um moderador e geralmente sob a observação de representantes da empresa que mantém o site, navegarem e emitirem suas opiniões sobre o site. Por meio de tarefas determinadas pelo moderador, o usuário mostra os problemas qeu enfrenta ao tentar atingir seus objetivos e como gostaria que o site estivesse estruturado para facilitar sua navegação.

Fabiana Curi Yazbek, responsável pelas áreas de pesquisa de mercado e testes de usabilidade da e-bit, mostrou outras formas de testar os sites:

  • Avaliação heurística: mais rápido e barato do que os testes com usuários, é feito por especialistas em usabilidade. Eles, apesar de conhecerem o assunto e se basearem em guias e práticas já aprovadas, não são quem fará uso direto do site, o que torna esse tipo de teste um complemento para o teste com usuários.
  • Protótipo em papel: teste com usuários utilizando representações gráficas em papel. Usado para testar diferentes idéias e layouts, apresentar idéias em diferentes formatos e determinar elementos bons e ruins de design.
  • Teste por telefone: indicado para quem já fez o teste presencial e ainda precisa checar algumas informações. É rápido e barato. Exige um bom moderador.
  • Teste por chat: o usuário não precisa se identificar e fica mais livre pra criticar. Barato. Também exige do moderador a habilidade de extrair as impressões de quem está do outro lado, mas é mais fácil do que por telefone.

Segundo Claudia Obata, sites com boa usabilidade são mais lucrativos. Isso fica mais evidente nos de comércio eletrônico e transações financeiras do que nos outros. Esse é um dos motivos pelos quais "estamos cada vez mais preocupados com a profissionalização em usabilidade. Antigamente ninguém aceitava e hoje já começam a perceber que é parte necessária, diretamente ligada ao sucesso do site. A grande escola ainda são os Estados Unidos, porque o conhecimento é gerado lá, mas tem muita gente estudando o assunto", concluiu.