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Personagens

João, o sincero



Como a sinceridade matou a vida profissional do meu amigo João?

Fernando - Empregos.com.br

SinceridadeAqui na Germano Botões a cultura empresarial é daquelas de empresas familiares. Todo mundo se conhece e o circulo é pequeno. Isso é bom por um lado, gera mais empatia entre os funcionários e deixa as pessoas mais à vontade. Mas por outro é difícil. As mudanças são mais sofridas e o planejamento vem sempre de cima pra baixo, dentro da visão dos donos.

Esse é um terreno bem complicado para pessoas como João Braga, meu amigo e colega. João é chefe de logística, anda com celular que não para de tocar, usa uma camisa que parece estar sempre suada nas axilas e sofre de uma inquietação terrível que sempre culmina numa crise de sinceridade.

Não foram poucas as vezes que vi João e Germano discutirem. Enquanto João queria expandir os negócios, exportar para a China, contratar novas transportadoras, investir recursos, Germano sempre colocava um pé atrás. “Você não quer crescer, tem medo do sucesso”, disparava João para o senhor de quase 70 anos, presidente da companhia.

Demorou em João perder o emprego. Minha teoria é de que Germano é tão conservador, mas tão conservador, que tem medo até de demitir um funcionário desbocado. Outra teoria é de que João era muito competente. Só sofria desse mal de língua solta.

Mas chego o dia em que o velho Germano demitiu João. Foi após brigarem por conta de um novo contrato que o chefe de logística havia feito com uma transportadora. “O senhor não tem coragem de fazer nada. Vai ser sempre chefe de uma empresa mediana”. Essas foram as últimas palavras de João na Germano Botões. Ele foi demitido naquele mesmo dia.

João hoje está em outro emprego. Numa última conversa que tive com ele o sujeito contou algumas histórias e deu pra ver que ele continua com a língua ferina. “Eu sou sincero Fernando, sou sincero mesmo como as pessoas deveriam ser!”, dizia ele.

Dei alguns conselhos pro João. Não é bom ser sincero o tempo todo, até porque a sinceridade não deixa de ser um ponto de vista. É um ponto de vista achar que a Germano Botões tem que crescer. É um ponto de vista dizer que o seu Germano não tem coragem de fazer as coisas. A sinceridade é sempre um problema porque não deixa de ser um ponto de vista. É sempre melhor ouvir e ponderar. Será que isso que eu chamo de sinceridade não é apenas meu ego falando como eu acho que as coisas deveriam ser?

Pense nisso da próxima vez que for ser “sincero”.

Conheça mais sobre a história dos nossos personagens no nosso texto de abertura.

Acompanhe a trajetória de Fernando
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Trocar de emprego para não estagnar

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