Rotatividade no emprego no Brasil é a mais baixa em 22 anos
por Camila Micheletti
Em meio a tantos acontecimentos ruins - guerra, aumento da inflação, juízes assassinados, balas perdidas -, finalmente surge uma boa notícia: segundo estudo desenvolvido pela Secretaria do Desenvolvimento, Trabalho e Solidariedade (SDTS), a partir de dados do Ministério do Trabalho, a taxa de rotatividade no emprego no Brasil foi de 32,43% em 2002, a menor desde 1980.
Segundo o estudo, divulgado esta semana pelo Secretário Municipal do Desenvolvimento, Trabalho e Solidariedade, Márcio Pochmann, a queda na taxa de rotatividade teve início no final da década de 80 e pode ter ocorrido por vários fatores:
Embora a taxa de rotatividade ainda seja alta, pode-se dizer que a multa sobre o FGTS vem contribuindo bastante para que ela não aumente ainda mais. A queda na taxa nacional de rotatividade foi de 10,42% após a implantação do adicional de 10%. Isso significa que 995 mil trabalhadores deixaram de ser substituídos no período de outubro de 2001 a setembro de 2002. No entanto, é importante destacar que esse acréscimo da multa não é destinado ao trabalhador. A diferença é um mecanismo para recompor as perdas que a Caixa Econômica Federal sofreu por causa dos planos Collor e Verão.
A taxa de rotatividade no emprego de 32% ainda é considerada uma das mais altas no mundo. Nos países desenvolvidos, o índice apresenta-se, em geral, abaixo de 20%. "Isso acontece porque no Brasil não há nenhum constrangimento administrativo para a empresa na hora de demitir. Até hoje não houve força política para restringir as demissões", considera Márcio Pochmann.
Apesar da baixa rotatividade, desemprego aumenta em SP
Segundo pesquisa da Fundação Seade e do Dieese, a taxa de desemprego na região metropolitana de São Paulofoi de 19,1% em fevereiro, contra 18,6% em janeiro. É o maior índice desde maio do ano passado. A taxa do mês passado é igual à de fevereiro de 2002. A estimativa é de que 1,785 milhão de pessoas estivessem desempregadas no mês passado.