Novas organizações - Jack Welch
Grande estrela do mundo corporativo cativa o público da ExpoManagement e dá lições de empreendedorismo e satisfação na carreira
Por Clarissa Janini
Em todas suas edições, a ExpoManagement traz ao público grandes nomes nacionais e internacionais do mundo corporativo. Em 2006, o grande destaque foi o ex-CEO da General Eletric (GE) Jack Welch, um dos executivos mais admirados em todo o mundo. Em um animado bate-papo com o presidente da HSM no Brasil, Carlos Alberto Júlio, ele contou um pouco de sua trajetória de sucesso à frente da GE e, mais tarde, fez questão de interagir com o público respondendo às mais diversas perguntas. Sobre o que pensa das organizações no Brasil, ele contou que percebe um grande entusiasmo por parte das pessoas. "Sinto um clima acalorado no ar, em cada esquina. Vejo que o Brasil tem vontade de crescer".
Após a conversa com Júlio, os microfones do auditório foram abertos à platéia, e não foi surpresa a quantidade de participantes dispostos a fazer perguntas ao carismático Welch.
Homens e mulheres das mais diversas localidades e áreas de atuação não desperdiçaram a oportunidade de aprender lições do mundo corporativo diretamente com o executivo. Ícone da satisfação e do sucesso como gestor, ele mandou um recado objetivo para aqueles que reclamam do trabalho e estão com a carreira estagnada: "quem não gosta de seu trabalho deve dar o fora!". Veja, a seguir, os principais assuntos debatidos na apresentação:
Valores e integridade
Welch é militante em relação ao preceito de sempre mostrar seus valores aos outros e segui-los em quaisquer situações. E também avisa aos gestores o perigo de se ter na equipe alguém com poucos escrúpulos, mas que atinge as metas e traz retorno financeiro. "Essas pessoas riem de você pelas costas e sabem que você sabe que elas não têm valores", alerta ele. Ou seja, de nada vale pregar ética e valores na empresa se você é complacente com funcionários desonestos.
Contratar os bons...
"Os melhores jogadores sempre levam o time à vitória", comenta ele, fazendo um paralelo entre esporte e mundo corporativo. "Seu trabalho como líder é selecionar as pessoas certas para os lugares certos". De acordo com o executivo, selecionar as pessoas certas é o melhor caminho para impulsionar a estratégia da empresa. "Primeiro você contrata grandes talentos e depois os coloca a par da estratégia da organização".
...e demitir os ruins
Por outro lado, se há funcionários que não correspondem às suas funções ou possuem desvio de caráter, não pense duas vezes em demiti-lo. Ele disse que o gestor "bonzinho", que tem medo de demitir é, na verdade, um covarde. "É o pior tipo de gestor. Não se deve esperar a pessoa fazer carreira na empresa". E, no momento da demissão, faça-o de modo transparente, explicando aos outros funcionários os motivos exatos das dispensas dos colegas. "É um momento de aprendizado para todos. Acho importante enfatizar o quanto os demitidos não estavam de acordo com os valores da empresa".
Carisma e intuição
Perguntado sobre a importância do carisma em um líder, Welch afirmou que esta qualidade é um "acelerador" dos acontecimentos. "O carisma faz as coisas acontecerem mais rapidamente". Mas isso nem sempre é algo positivo - vai depender se as intenções do líder são boas ou não. Ele tembém discorreu sobre a importância do líder seguir sua intuição, mas sem fechar os olhos para a realidade. "Intuição é importante, mas é bom sempre avaliar todas as situações à sua volta".
Celebrar vitórias, sempre
"Por que as empresas ainda não comemoram as vitórias suficientemente?", questiona o empresário. Para ele, celebrar as pequenas vitórias do dia-a-dia é a principal medida para motivar os funcionários. "E não é apenas dizer 'parabéns' ou algo trivial. É fazer com que tenha significado para o funcionário". Sempre direto, Welch também abordou a questão da recompensa material. "Não pense que o dinheiro é sujo. A melhor forma de celebração é um belo cheque".