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Intercâmbio como diferencial competitivo (03.08.09)Cenário globalizado faz com que profissionais busquem vivência internacional para se adequar ao mercado
Rômulo Martins
Não é só questão de falar fluentemente os idiomas inglês e espanhol. Hoje, a vivência internacional é encarada como um diferencial competitivo pelas empresas brasileiras. E os profissionais sabem disso. Não por acaso nos últimos meses a procura de viagens para intercâmbios focados na carreira manteve-se estável, dizem profissionais da área, em pleno ápice da crise econômica mundial.
Com o intuito de trocar experiências com outras pessoas e ampliar sua rede de relacionamento na área em que atuam, bem como dedicar-se aos estudos, conhecer outras culturas e costumes, além de aprimorar o idioma estrangeiro, profissionais viram no período de turbulência econômica a oportunidade de se blindar no mercado para a era pós-crise.
O cenário da globalização já havia sinalizado para a importância de conhecer outros países e parece que nos últimos anos isso ficou evidente. A tendência decorre da abertura de mercado acentuada na última década, diz Rafael Villas Boas, diretor de marketing da Intercâmbio Global.
“O movimento global no qual o Brasil está inserido não pode ser freado e a crise mundial apontou para isso. Muitas empresas começam a pensar globalmente e, nesse sentido, aquelas que têm a orientação de crescimento veem a exportação como um dos focos do mercado por isso procuram profissionais com visão internacional”, revela.
Consequência: planos study and travel ou study and work voltados aos profissionais de marketing, a gestores educacionais, a executivos, dentre outros, mantiveram a demanda mesmo em meio à crise econômica mundial.
Na CI, empresa de intercâmbio e turismo jovem, houve um aumento de 20% pela busca de cursos com foco na carreira nos últimos seis meses em relação ao mesmo período do ano passado.
“Ao invés de fazer uma viagem de turismo, os profissionais resolveram investir na carreira. Isso ocorreu inclusive com aqueles que perderam seu emprego. Foram para o exterior para conquistarem a recolocação no mercado de trabalho brasileiro”, diz Luiza Vianna, gerente de cursos da CI.
A busca por intercâmbio é tendência, revela Luiza. Segundo ela, empresas de pequeno, médio e grande portes procuram profissionais com experiência internacional, porque sabem que os benefícios dessa vivência podem ser sentidos no dia a dia do mundo corporativo e isso vale tanto para profissionais com cargos de liderança como para os cargos intermediários.
“Com a vivência, o profissional tende a ser mais flexível e a adaptar-se com mais facilidade a diversas situações”, diz. Pudera! A maioria das pessoas que decide experimentar um intercâmbio, em tese, sai de sua zona de conforto no Brasil para dividir a vida com famílias estrangeiras locais ou com pessoas desconhecidas que têm objetivo similar.
Porém, a experiência vale a pena, avalia Luiza. Isso porque o amadurecimento adquirido “lá fora” pelo profissional, bem como o know-how trazido para o Brasil, é encarado como diferencial competitivo pelas empresas. Muitas delas, inclusive, investem no profissional, arcando parcial ou integralmente com a viagem de intercâmbio.
“Entre dois currículos similares, sem sombra de dúvidas, está a frente o que possui vivência internacional. Nas áreas de Marketing, Administração e Relações Internacionais os conceitos são os mesmos em todos os países. Sendo assim, um estagiário ou profissional da área que tenha vivência no Canadá, por exemplo, pode aplicar a bagagem adquirida lá no Brasil. Outras áreas, como o Direito, têm suas diferenciações em cada país. Nesse caso o que vai contar é a experiência internacional como um todo, no sentido de aprimoramento do idioma e conhecimento de outras culturas”, diz.
Perfil Segundo profissionais da área de intercâmbio os destinos mais procurados são os de domínio da língua inglesa: Canadá, Estados Unidos, Inglaterra e Irlanda e, em segundo plano, nações que falam espanhol, como Espanha, Argentina e Chile.
O tempo de viagem varia conforme o objetivo do profissional, de uma semana a dois anos. Há desde os executivos que viajam para reciclar o idioma e fazem um curso intensivo, aos profissionais que tiram licença do trabalho para buscar uma outra colocação no mercado brasileiro e os que vão atrás de uma extensão universitária ou curso de idiomas.
“Muitos não tiveram oportunidade de realizar intercâmbio durante a graduação e aproveitaram para ter esse contato agora [no período de crise econômica] porque entendem que a experiência é um diferencial competitivo nas empresas”, diz Luiza, da CI.
Lá, aprendem o idioma, tem a possibilidade de ampliar as redes de relacionamento por meio de contatos com outros profissionais, estudam mais e adquirem diferentes visões sobre o mercado e a profissão e, de quebra, desfrutam das maravilhas que uma viagem pode proporcionar.