Como agir ao receber um telefonema de emprego
por Camila Micheletti
Uma das poucas coisas boas que se tem ao ficar desempregado – se é que ela existe – é poder dormir além da conta, ver TV no meio da tarde e ficar algumas horas sem fazer absolutamente nada. Pois saiba que pode ser na calmaria de uma tarde chuvosa que o telefone toca e, sem perceber, você elimina uma futura entrevista de emprego por pura falta de atenção.
Na maior parte dos casos, o seu primeiro contato com a empresa vai ser por telefone. Normalmente, as empresas ligam para confirmar os dados, saber se o profissional atende aos pré-requisitos da vaga e, dependendo do perfil do cargo, também pode ser feita uma entrevista com o profissional. “Em São Paulo e no Rio de Janeiro, este contato por telefone é muito comum. Mas nas outras regiões do Brasil, como Nordeste e Sul, esta prática não é tão conhecida, sendo que algumas pessoas chegam a ficar desconfiadas e suspeitar da idoneidade da consultoria”, afirma Lara Rossetti Machado, coordenadora da área de Recrutamento e Seleção de Executivos e Especialistas da Across Recursos Humanos. Além de confirmar dados como nome, idade, formação e experiência profissional, a ligação tem como objetivo maior facilitar o trabalho de ambos, já que o candidato é logo eliminado se não atender aos requisitos da vaga. “Se o profissional quer ganhar 2.500 reais e só podemos pagar 1.200 reais, já conversamos isso pelo telefone, e ele não precisa ter o trabalho de vir até a consultoria e ouvir que o salário que podemos pagar não interessa a ele”.
Em níveis hierárquicos mais altos, como gerentes, diretores e presidentes, a conversa pode alongar-se ainda mais. Nestes casos, Lara afirma que a conversa vira quase uma entrevista, podendo durar entre 20 e 30 minutos para gerentes, e até uma hora com profissionais de nível diretoria para cima. Ela conta que quanto maior a experiência e o cargo, mais o profissional tem que falar e a consultoria precisa saber, para ter a certeza se a pessoa está ou não dentro do perfil pedido pela empresa, e assim ser chamada para uma entrevista pessoal. “Ao receber a ligação, é fundamental que o profissional possa falar abertamente, sem rodeios. Por isso, se ele estiver na empresa em ou algum lugar onde não possa falar com tranqüilidade, a melhor coisa é explicar ao recrutador que não pode falar no momento e combinar outro horário mais adequado”, alerta a coordenadora de R&S da Across.
Confira o que normalmente as empresas, consultorias e headhunters querem saber quando ligam para você pela primeira vez:
Como se planejar antes de receber um contato telefônico da empresa? Confira as dicas dos especialistas ouvidos pelo Empregos.com.br:
Se por acaso a entrevista não der certo e a proposta não se concretizar, não desanime. Estatísticas mostram que, de cada 200 pessoas consultadas para uma vaga por um headhunter, talvez 20%, ou 50 candidatos, passem pelo primeiro crivo, que cinco serão finalistas, e que apenas um terá o emprego. Não encare uma rejeição como uma questão pessoal: o processo de busca objetiva um profissional perfeito para aquele cargo, e se você não foi escolhido, certamente foi bom ter acontecido, porque a vaga não era mesmo feita para você.