As mulheres vão à luta
Daniele Aronque
Às vésperas do Século 21, o mundo está assistindo ao fim da divisão de tarefas por sexo. Depois das linhas de produção, do comando de grandes empresas e até do futebol, agora é a vez delas invadirem o exército.
De acordo com a Constituição brasileira, as mulheres são isentas do Serviço Militar. Mas isso apenas na teoria. Na prática, o que era antes um território exclusivo dos homens, está abrindo de vez suas portas e tornando-se, nos últimos anos, um novo "campo" de trabalho para mulheres que pretendem seguir a carreira militar.
Incentivado por um aumento no número de interessadas, o exército instituiu a participação feminina em diversas áreas de seu quadro. Em 1992, a Escola de Administração do Exército (EsAEx), em Salvador, na Bahia, matriculou a primeira turma de 49 mulheres que formaram-se oficiais (1° Tenente) do quadro complementar. Hoje já são 2120 oficiais que fazem parte do exército brasileiro.
Durante o curso nas academias militares, todos recebem a mesma instrução básica, com marchas a pé e motorizadas, acampamentos, tiro real, jogos de guerra em computador e manobras logísticas. As adaptações se limitaram às instalações sanitárias, com banheiros e vestiários privativos.
Com exceção da área de combate, não há restrições na carreira militar para as mulheres. De acordo com o Centro de Comunicação Social do Exército (CCOMSEX), a instituição não criou um "quadro feminino" pois as mulheres passaram a integrar funções já existentes, trabalhando nas mesmas condições dos oficiais do sexo masculino e concorrendo igualmente às promoções.
Mas o que leva uma mulher a ingressar na carreira militar? Para o exército, os motivos são vocação pela carreira, respeito e a organização da instituição, perspectiva de ascensão profissional, estabilidade e uma alternativa interessante de futuro.
"No meu caso foi a atração pelo novo, pelo inusitado. As Forças Armadas sempre exerceram fascínio para o segmento feminino. Além do que, o excelente campo de trabalho e a segurança são fatores atrativos", diz a primeiro-tenente Regina Lemos, redatora da seção de Produção e Divulgação do CCOMSEX.
Já para a primeiro-tenente Cristina Joras, relações-públicas do CCOMSEX, o exército foi uma oportunidade de aprender e de se superar, descobrindo que seu limite de realizar qualquer atividade estava além do que imaginava.
"O ingresso no exército me deu a oportunidade de trabalhar na minha especialização, com a estabilidade de um futuro certo em um mundo tão incerto, em que terminamos a faculdade e não há espaço no mercado de trabalho", analisa Cristina.
Leia mais:
Uma Coronel no comando
Como ingressar na carreira militar