(11.02.07)
Não sei receber ordens de chefe
Saber dosar pró-atividade e respeito à hierarquia é
um grande dilema para boa parte dos profissionais

Faça o que eu mando! Quando essa expressão cai como uma pedra em seus ouvidos ou quando acha que não está tendo a sua independência respeitada, cuidado! Você pode estar apresentando sintomas de aversão à liderança e isso pode colocar em risco seus resultados e, ainda pior, seu emprego.

Possuir capacidade para resolver problemas, coordenar pessoas, desenvolver estratégias em seu setor são atitudes válidas e desejadas para se manter bem em qualquer emprego. Mas há uma linha muito sutil inclusa nessas características: é quando você começa implantar uma liderança paralela.

Os conflitos entre empregados e hierarquia são comuns e existem desde sempre, pois a relação entre pessoas em si é delicada. Segundo Laura Marques Castelhano, psicóloga especializada em gestão de carreiras e processos de reestruturação, normalmente a base do conflito são as exigências vindas do líder, que precisa ser acatado, e as do funcionário, que precisa ser reconhecido pelo que faz. "O problema é se o colaborador quiser fazer tudo do seu jeito e preferir fazê-lo passando por cima das regras. Nessa atitude percebe-se que algo começará a dar errado".

Tudo do meu jeito
Se por um lado agir com certa independência é sinal de segurança, por outro pode ser o começo de um trabalho solitário. Mostrar maturidade profissional garante muitos pontos, até porque ninguém irá supervisioná-lo a cada dúvida que tiver, mas em casos extremos essa atitude pode gerar desrespeito à hierarquia.

Para o bom andamento de um setor e da empresa como um todo, a cada decisão é necessário consultar, perguntar, ouvir e acatar. Se isso vale para lideranças inteligentes, porque não valeria para os próprios funcionários? Considerando a lógica, esse pensamento já faria com que boa parte dos problemas internos desse profissional se resolvesse, mas não é bem assim. Por exemplo: Quer maior frustração para um profissional especializado ter que responder a alguém que esteja totalmente fora do processo, e que ainda possui o poder de decisão? Pois então, essa pode ser uma das razões que causam desconfortos e tornam o profissional cada vez mais resistente, fazendo tudo do seu jeito.

Se a sua personalidade vai ao encontro dessas características, saiba que bater de frente não é a melhor opção. Você pode sem querer começar a agir da mesma forma com que agem com você e acabará não escutando nem percebendo o que acontece à sua volta - desencadeando atitudes como: começar a colocar dificuldades nos processos, exigir prioridades, se irritar e se recusar a respeitar as hierarquias. Como reflexo dessas atitudes, você poderá ser interpretado de uma maneira equivocada, passando por autoritário.

Para trabalhar em equipe existem regras a serem seguidas. Por essa razão o temperamento "mandão", muitas vezes aplicado nas empresas, passa a perder sua eficiência, já que para lidar com pessoas é necessário comunicação e flexibilidade. Respeitar o que precisa ser feito e ceder faz parte do trabalho e nem por isso significa omissão ou falta de personalidade, ao contrário, denota profissionalismo.

Melhore seu comportamento
Vale a pena ser flexível. Uma liderança inteligente é baseada no diálogo constante com seu funcionário. Eliminar situações mal-entendidas, respeitar momentos difíceis tanto profissionalmente como da vida pessoal de cada um, faz parte dessa atitude.

Seja maleável e veja em que situação é melhor respirar, contar até dez ou resolver o que estiver incomodando.

Dicas para melhorar seu relacionamento dentro da empresa:

  • Escolha a melhor maneira para falar. Use a sensibilidade, às vezes, é melhor deixar o assunto "esfriar". Um dia esquisito pode deixar as decisões simples tomarem uma proporção inadequada;
  • Feedback : dê e peça;
  • Nem sempre você está certo, não coloque a culpa no mundo;
  • Se perceber uma liderança incompetente, não bata de frente, prefira decisões que contribuam com sua carreira;
  • Comprometa-se com seu trabalho;
  • Observe os colegas de trabalho, se eles cumprem prazos e como é feito o relacionamento com os antigos;
  • Melhore a comunicação. A relação entre líder e funcionário tem que ser clara: mostrar que eu estou vendo o que você está fazendo;
  • Elimine o "eu acho que", tenha certeza;
  • Respeite a hierarquia;
  • Tenha uma relação de competição saudável dentro da empresa.

É claro que em alguns casos não podemos colocar a culpa apenas no "gênio forte" do funcionário. Esse problema na maioria das vezes é uma resposta a toda uma rede de componentes que não vêm sendo bem gerenciados. Perdem-se talentos quando a liderança não é eficaz. Por exemplo, o alto nível de turnover vem como uma das respostas por essa falta de comunicação e percepção da liderança para com seus colaboradores.

Agora, se esse não for o caso, pequenas atitudes como autocrítica, perguntar para as pessoas com quem convive mais diretamente se está no caminho correto são boas saídas para que aos poucos esses ruídos possam ser solucionados.

 

 

 

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