Férias: é preciso aprender a relaxar Quando se fala em tirar férias, o natural é imaginarmos que a pessoa vai se dedicar ao descanso físico e mental, repondo as energias roubadas no dia-a-dia pelo estresse. Mas essa imagem de alegria e disposição às vezes cede lugar ao desânimo - resultado do acúmulo de várias experiências estressantes. É muito comum, inclusive, encontrarmos quem se sinta mais cansado na volta das férias do que antes de sair.
A dificuldade em relaxar é um problema que vem se agravando. Por um lado, porque durante as férias as relações familiares acabam se estreitando naturalmente e trazendo à tona, novamente, alguns conflitos não-resolvidos. Por outro lado, há quem utiliza o período de férias no trabalho ou na faculdade para fazer cursos ou algum outro trabalho. Ou seja, não se "desliga" nem permite que o organismo se revigore.
Há, também, aqueles que decidem embarcar em excursões desgastantes. Quem já comprou um pacote turístico para a Disneylândia sabe como esses passeios tiram toda a energia física da pessoa. Todos acordam às sete da manhã e passam o dia inteiro em um vaivém frenético. E dormem tarde, para ter pelo menos a sensação de que o dinheiro foi bem empregado. Conclusão: na volta, a pessoa está um farrapo humano, precisando de férias.
Um outro problema comum durante as férias, especialmente para quem viaja por companhias, desconhecendo seus parceiros de viagem, são os sentimentos de não-conformidade com as pessoas à sua volta. Nessas ocasiões é que percebemos nosso grau de adaptabilidade, tolerância e paciência, já que nem sempre as coisas saem como gostaríamos.
Como as férias são um período necessário na vida do ser humano, deve-se procurar gozá-lo da melhor forma possível e o ideal é planejar como o tempo será empregado. Se a pessoa tiver somente dez dias de descanso, mas utilizá-lo para realmente descansar a cabeça, se divertir, rir e conhecer gente nova, com discursos totalmente diferentes da rotina, muito bom, já está valendo a pena.
O segredo para aproveitar mesmo as férias é respeitar suas preferências e não "inventar moda", para não se arrepender depois. Quem gosta de "lagartixar" sob o sol, deve optar por praias menos populosas, desfrutando do vaivém das ondas como forma de relaxar. Os antenados, que encontram na diversão uma forma de descanso, podem seguir para as praias mais badaladas.
Para quem gosta do campo, a regra é semelhante. Como hoje em dia a maioria dos hotéis-fazenda têm monitores para cuidar das crianças, esta é uma ótima opção para quem gosta de desfrutar do cheiro do mato, de uma boa rede na varanda e de atividades desestressantes como cavalgadas e pescaria. Os mais ativos podem optar por resorts ecológicos, com atividades como rafting, boiacross e arvorismo. Tudo vale a pena quando o objetivo é abstrair os problemas. Basta ser fiel às suas preferências.
É importante entender que as férias não são a "cura" nem a "salvação" para pessoas solitárias ou que estejam com problemas de relacionamento. Mas vale reservar um tempinho para se "desligar" das atribulações que mais causam estresse. Para quem não consegue relaxar e começa a sentir que a tensão permanente está afetando sua saúde, o processo de cura pode se dar de algumas maneiras:
*Luiz Gonzaga Leite é chefe do Departamento de Psicologia do Hospital Santa Paula e professor da Unisa - Universidade de Santo Amaro.